FRASE DO DIA

Destruir Lula é roubar a voz dos pobres, só um povo infantil faria uma coisa dessa

(Domenico De Masi, sociólogo italiano)

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Se a gente aprende desde criancinha que não se bate numa mulher nem com uma flor, imagina espancar um ser sagrado como a nossa mãe…

Advogado agressor da própria mãe recebe solidariedade de médico suplente de deputado.

Em meio a indignação que tomou conta da sociedade maranhense com vídeo em que o bacharel em direito Roberto Elísio de Freitas é flagrado em uma série de agressões físicas e psicológicas contra a própria mãe, de 84 anos, o médico e suplente de deputado estadual Yglésio Moyses tentou, por meio da rede social do Facebook, fazer uma defesa, na verdade criar uma justificativa para a barbárie cometida pelo tal advogado. Veja o que disse o sujeito:

“Antes de sair feito um doido indignado com o vídeo do homem que agrediu a mãe, tente entender a situação. O homem é obeso mórbido, desempregado, tem sinais claros de doença mental ali. Uma pessoa formada em Direito que não trabalha e gerencia apenas a pequena aposentadoria da mãe não parece ser normal. Outra coisa que chama a atenção é a postura passiva da mãe, como se aquilo fosse algo que já tivesse acontecido. Pra fechar, a pessoa que está do lado filmando não demonstrou grande indignação na filmagem, nem o próprio homem não se importou com ela filmando toda a situação, como se ele não tivesse noção daquilo que estava acontecendo. Tem muito traço de doença mental, com posibilidade de estar em surto psicótico mesmo. Pode ser fingimento? Pode, mas antes de julgar, aguarde ele ser avaliado por um especialista em Psiquiatria, não por você que é especialista em vida alheia. Não entre nesse parafuso de piração de blog. Blog quer acessos. Ponto.”

A impressão que passa, a partir das palavra do doutor, é que, por algum motivo, ele entende que precisamos ter certa complacência com agressores de mulheres e pior: das próprias mães. Um verdadeiro absurdo!

Ora, se a gente aprende desde criancinha que não se bate numa mulher nem com uma flor, imagina espancar um ser sagrado como a nossa mãe!

Não sei que tipo de doença psicológica ou psiquiátrica esse senhor Roberto Elísio de Freitas possui; não entendo até que ponto o fato dele estar supostamente desempregado seria motivo para torturar a mãe deixando de ser filho para se tornar carrasco da sua genitora.

A verdade é que nada justifica as cenas humanamente degradantes mostradas nos vídeos publicados nas redes sociais e blogs. Aliás, corre um áudio na internet onde alguém, que seria vizinho do filho agressor, traça o perfil dele como sendo uma pessoa que nunca passa de um plaboy, bon vivant que sempre viveu às custas dos pais.

E falando em blogs, o doutor Yglésio Moyses ainda teve o descaramento de querer desqualificar os blogs que divulgaram os atos insanos do advogado doidão.

Ah, vai plantar batatas, Dr. Maluquinho!


Fundação Abrinq coloca as propostas do senador maranhense em agenda legislativa prioritária

O Senado Federal analisa o Projeto de Lei 217/2015, de autoria do senador Roberto Rocha (PSB-MA), que dobra o repasse de recursos para alimentação escolar em municípios em situação de extrema pobreza. A matéria vem sendo acompanhada de perto pela Fundação Abrinq, que lançou, esta semana, o seu Caderno Legislativo 2017. Segundo a entidade, a proposta do senador maranhense é uma das mais relevantes no tema em defesa da criança e do adolescente no Congresso Nacional.

O projeto, que já foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, prevê duplicar os valores do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), conhecido como merenda escolar, para alunos de localidades de extrema pobreza. “Há muitas áreas rurais e municípios pobres, onde ainda tem registros de desnutrição infantil. Persistem situações onde a principal motivação de uma criança ir à escola é encontrar fonte de substância na merenda oferecida”, explicou o senador Roberto Rocha.

A medida beneficiará 470 municípios brasileiros, cerca de 100 deles localizados no Maranhão. São considerados municípios de extrema pobreza aqueles nos quais 30% ou mais das famílias neles residentes façam parte do cadastro dos programas Brasil sem Miséria ou Bolsa Família.

Embora a proposta do senador maranhense seja uma das mais destacadas, estudo apresentado pela Fundação Abrinq revela que apenas 12 entre 2.769 propostas dos congressistas relacionadas ao público entre 0 e 17 anos foram sancionadas pelo presidente da República em 2016. Outras 11 foram arquivadas e as restantes estão praticamente paralisadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Em entrevista ao site Congresso em Foco, a diretora executiva da Abrinq, Heloísa Oliveira, disse que há pouco foco dos parlamentares nas prioridades relativas à questão. “São diversos problemas acerca da pauta legislativa, como lentidão na tramitação das propostas, inadequação formal dos projetos, vícios de inconstitucionalidade e outras situações de confronto com a lei. Tudo isso dificulta a aprovação dessas propostas”, disse.

Na contramão da maioria dos parlamentares, o senador Roberto Rocha tem outras propostas especificamente para crianças e adolescentes, como o Projeto de Lei 353/2016 que institui o Programa de Passe Livre Estudantil e cria o Fundo Federal do Passe Livre Estudantil. A proposta também está no rol de monitoramento da Fundação Abrinq.

Para o congressista maranhense, iniciativas para criação de legislações voltadas para crianças e adolescentes são uma forma de assegurar desde cedo os direitos delas e ajudá-las a criar oportunidades na vida. “O nosso projeto procura desonerar as famílias dos encargos de deslocamento de seus membros, sobretudo nos casos das crianças e dos jovens, assegurando-lhes as condições mínimas de circulação na cidade onde moram e estudam, algo mais importante ainda nos casos dos estudantes que habitam nossas periferias urbanas, cujos deslocamentos são mais onerosos para o orçamento familiar”, argumentou Roberto Rocha.


A maneira como nos relacionamos diz muito sobre quem somos

por Gustavo Gitti, via Vida Simples

Começamos olhando para aquele nosso amigo tímido. A timidez parece existir lá fora, como parte de sua identidade, certo? Ainda assim, há pelo menos uma outra pessoa que não vê timidez alguma ali e no mínimo um ambiente no qual ela não aparece. Agora expandimos tal contemplação para todas as qualidades que atribuímos aos outros. Alguma característica pode ser apontada como permanente? É verdade que alguns condicionamentos persistem mais, como em alguém que fuma há 30 anos, mas ele não é fumante por natureza: antes não fumava e pode cortar o vício.

Não faz sentido falar em pessoas falsas, malignas, burras, vingativas. Tais negatividades não pertencem a elas, não estão incrustadas na alma, não estão entranhadas no âmago. São qualidades relacionais que se manifestam de acordo com a posição em que elas estão na sociedade, na empresa, na família, entre amigos.

Quem aponta “Ele é chato” revela o tipo de relação que foi “co-construída”, o modo como nasceram um ao outro. Não há chatice em ninguém ali. Portanto, se você reclama que vive cercado de pessoas superficiais, isso não diz nada sobre elas, mas diz muito sobre como você se relaciona.

Do mesmo modo, tudo aquilo que você pensa ser, sua “essência”, são apenas formas de relação que estabeleceu consigo diante do espelho e com as pessoas, objetos, locais, com o mundo em geral. Bastaria cortarem todos os meus vínculos atuais, inclusive com o apartamento onde moro, para eu começar a esmolar ou até mesmo roubar para conseguir comida ¿ eu mudaria 100%. O problema é que esquecemos essa mobilidade e congelamos as pessoas como se elas fossem algo independente do contexto e do nosso olhar construtor.

Se não perdemos de vista essa natureza livre de atributos, aquele problema que parecia vir do outro agora se mostra como uma possibilidade (restrita) de conexão. E então naturalmente damos espaço a outros posicionamentos, olhares, gestos. O outro muda quando mudamos a relação.

Para andar num mundo de pessoas abertas e generosas, começo me abrindo. Oferecer o meu melhor é já ativar o melhor dos outros. Por outro lado, se enxergo manifestações transitórias como essências imutáveis, se não considero um criminoso como um potencial parceiro, isso é sinal de que estreitei minha visão, exatamente como aconteceu com o criminoso.

É inútil imaginar um mundo melhor e discursar sobre transformação social se continuamos congelando as pessoas ao nosso lado.


A blogosfera é um território fértil para tudo que é tipo gente, perfil, personalidade e, por conseguinte, para tudo que é tipo e qualidade de conteúdo (ou a falta) nos teclados – aquilo os antigos chamavam de “pena”.

A blogosfera é de certa forma anarquista –  que me perdoe conceitualmente Bakunin.

Mas há um tipo de blogosfera, porém, que excede o anarquismo, limite de bom senso, da razoabilidade, da moral, da ética e mesmo da sanidade mental.

Há tipos de blogueiros que fazem do seu teclado (antiga ‘pena’) uma arma para a desonra, acinte, vilipêndio, desrespeito moral, enfim, uma completa falta de qualquer empatia com o próximo, algo que se aproxima do conceito daquilo que  os especialistas chamam de : sociopata.

É quando o blogueiro transforma-se numa aberração textual de tal modo que ele encarna um ser caótico, doentio e psicótico, mas acha se acha o “cara”. Ou seja, faz de si, e emprega em si, uma personalidade que só cabe em si!

E ver blogueiros desse naipe sendo patrocinados pelo erário é porque chegamos a barbárie total!

Mas, quem paga é quem manda, né secretário?


A exposição de caricaturas Mulheres que Mudaram o Brasil traz personalidades, retratadas a nanquim, que romperam paradigmas nas esferas das artes e ciências

Letícia Gerola, via Vida Simples

As obras de Toni D’Agostinho, artista e sociólogo, descartam o uso da cor justamente para valorizar o contraste entre preto e branco. As imagens retratam trajetórias de vida permeadas por conflitos históricos, uma das paixões do desenhista, que tem a trajetória marcada pela união do olhar sociológico com o fazer artístico. Relações de gênero e outros poderes são evidenciados nos textos biográficos criados pela antropóloga Natalia Negretti, doutoranda em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “Entre as personagens, destaque para artistas da música brasileira como Inezita Barroso, Chiquinha Gonzaga e Elza Soares, além da poeta Cora Coralina, a psiquiatra Nise da Silveira e a médica, pediatra e sanitarista Zilda Arns”, explica.

Mulheres que Mudaram o Brasil – de 10/05 a 31/05 na Estação Sé do Metrô.
Contato: Toni D’Agostinho – facebook.com/mulheresquemudaramobrasil
Tel.: 11 99255-5737
e-mail: tonidagostinho@gmail.com


Macrom provou que o amor pela sua “coroa” só lhes fez bem, ambos completam o outro e vitória para a presidente da França foi mais do que uma vitória política. Foi, sobretudo, uma vitória do amor.

Emmanuel Macron e sua esposa Brigitte Trogneux

Um dos textos mais belos que já li sobre relações de amor foi “O Amor nos tempos do sexo”, escrito em 2005 pela escritora, ensaísta, teatróloga, jornalista, defensora dos direitos das mulheres e política, Heloneida Studart, cuja vida a deixou em dezembro de 2007.

No texto, Heloneida narra com um brilhantismo poético singular a saga amorosa entre o príncipe Charles, herdeiro do trono do reino da Inglaterra, e a sua amanda de meia-idade, Camila Parker.

A seguir um trecho da narrativa enamorada de Heloneida para depois eu entrar no assunto principal deste post. Assim:

“Trinta e quatro anos de amor! Trinta e quatro anos entre dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da Igreja Anglicana, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento dele com Lady Diana foi um dos eventos de maior pompa que o Reino Unido já viu), filhos de outros matrimônios e o amor dos dois lá, brilhando, como uma luz extra-terrena, um sol perpétuo (…) O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elisabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo entre os dois (“Eu queria ser um Tampax” etc.). Não valeu o tempo, não importaram as rugas, as pelancas. O mundo inteiro, convertido aos mitos da beleza e da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana. No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas, com aquele corpo desgracioso. Camila Parker Bowler é uma vitória do amor sobre todos os esteriótipos do nosso tempo”. Ufa!

Trouxe essa maravilha de texto para remeter a mais recente revelação de amor que teria tudo para não dar certo. Falo de Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, ele atual presidente eleito da França; ela, sua ex-professora de Francês e Latim. Até aqui nada de tão extraordinário.

Ocorre que quando Macron conheceu a professora ele tinha apenas 15 anos de idade e era amigo de classe da sua filha. Logo, tudo levava a crer que se houvesse cheiro de amor no ar teria que ser entre ele, Macron, e a jovem rebenta da professora.

Só que, fosse assim, seria apenas mais uma história de amor entre dois jovens que se conheceram, apaixonaram-se, largaram tudo e foram viver o seu amor intensamente.

Mas, não! O jovem Macron derreteu-se e se entregou foi aos braços da professora 24 anos mais velha.

Quando os pais viram que havia algo de “errado”, trataram de mandar o filho para longe da “perdição”. Tipo da coisa que só aumenta o fogo da paixão. “Você não vai se livrar de mim. Eu vou voltar e vou casar contigo”, disse ele, segundo contou Brigitte em entrevista à revista Paris Match. “Nos telefonávamos o tempo todo e, pouco a pouco, ele quebrou minha resistência com uma paciência impressionante”.

Hoje, o futuro comandante de uma das maiores potências econômicas do mundo tem 39 anos e seu primeiro e único amor acabou de completar 64. E daí? Macrom provou que o amor pela sua “coroa” só lhes fez bem, ambos completam o outro e vitória para a presidente da França foi mais do que uma vitória política. Foi, sobretudo uma vitória do amor. De uma linda história de amor, diga-se!

E para concluir, volto à Heloneida Studart em “O Amor nos tempos do sexo” quando ao final do artigo ela fecha com chave de ouro com estas palavras que cabem como uma luva para o amor de Macron e Brigitte:

“Certamente, à noite, quando mais uma vez se despir diante dele, o príncipe vai enxergar, não o
corpo flácido de uma senhora, mas o corpo esbelto, juvenil, perfeito que possuem todas as mulheres, de qualquer idade, quando são amadas.”

Até a próxima!


Via Fãs da Psicanálise

A família é nosso primeiro meio social, é onde construímos e nutrimos nossas primeiras relações e também onde iniciamos nosso desenvolvimento do Eu. Os vínculos costumam se desenvolver de forma intensa, por vezes nos tornando cuidadores e defensores de nossa família.

Acontece que muitas vezes esses laços se constituem de forma a não estabelecer limites a essas relações, tornando-as disfuncionais.

“Uma família disfuncional é aquela que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu funcionamento. Relaciona-se sempre da mesma maneira, de forma rígida não permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação familiar.” (Revista Boa Saúde)

Em muitos casos um familiar responsabiliza-se por resoluções de problemas e conflitos que não deveriam ser de sua preocupação.

Veja alguns que estão recentes em minha mente.

1. Filho que assumiu a posição de ‘chefe da casa’ após separação conturbada dos pais. Além de cuidar de si e de suas questões ‘adolescentes’, o filho sente-se na obrigação de cuidar da mãe e educar o irmão mais novo;

2. Filho de pais que vivem em meio a separações e ameaças de divórcio. O filho vira mecanismo de reconciliação/separação do casal, sendo peça fundamental para que um ciclo briga-separa-volta se mantenha a todo vapor;

3. Filha mais velha e adulta sente-se responsável por dar suporte a sua mãe (que criou a filha parte da infância sozinha), seja financeira ou emocionalmente. Tornando-se refém dos problemas da mãe, que são normalmente resolvidos pela filha ou não resolvidos para se manter esse tipo de relação;

4. Irmã que sente-se responsável por cuidar dos irmãos e já na fase adulta continua a resolver os conflitos e arcar com despesas financeiras dos irmãos;

5. Mãe que, apesar dos filhos já serem adultos e estarem casados, sente-se responsável por conduzir a vida dos filhos e assumir despesas e responsabilidades deles;

Ao expor os exemplos acima não me refiro a situações isoladas ou casos específicos. Me refiro a ciclos repetitivos que adoecem as relações e sobrepõem responsabilidades individuais, transferindo-as ao outro.

Em casos como os já citados todos têm prejuízos em suas vidas. Uma pessoa sobrecarrega-se, outra não amadurece, mantendo uma relação imatura, sem espaço para desenvolvimento com intuito de melhora.

Para alguns pode ser visto como prova de amor, mas não. Amor baseia-se em troca, respeito mútuo e limites. Estipular limites sim é uma prova de amor, amor ao outro e a si mesmo.

Normalmente quem se encontra neste tipo de situação enfrenta dificuldade em romper com o ciclo vicioso que retroalimenta, no entanto, é extremamente necessário que o indivíduo entenda o papel que vêm exercendo e o que o motiva a manter-se nessa posição (normalmente há algum ganho ou enrijecimento por um ganho do passado).

A consciência do funcionamento familiar já é de grande valia já que muitas pessoas vivenciam essas situações sem nem ao menos perceber que algo está disfuncional, mesmo em casos em que haja sofrimento manifesto.

Em alguns casos uma conversa com alguém fora da família, como um amigo, poderá alertar e alterar o status da família. Outras vezes o processo terapêutico se faz necessário.

O processo terapêutico individual por si só já provocará desdobramentos no lidar deste individuo com seus familiares.

Agora se o processo terapêutico for familiar, ou seja, todos os membros da família participarem, o processo poderá ser muito mais rápido, pois os conflitos referentes ao envolvimento e mecanismo familiar serão resolvidos por todos juntos, além de propiciar que todos entendam seu papel no funcionamento da família, possibilitando, assim, a escolha de permanecer retroalimentando os laços disfuncionais ou reescrevendo novas formas de organização e arranjo familiar.


Confesse: quantas vezes você já atribuiu suas responsabilidades aos outros para se livrar da culpa e da angústia que elas trazem? Descubra por que assumir de vez seus atos e escolhas pode ser libertador

Ficar adulto é isso, afinal: sermos responsáveis pelas decisões que tomamos | Crédito: iStock

Rafael Tonom, via Vida Simples

Peguei a bicicleta naquela tarde para dar uma volta na área de lazer do prédio, já que ainda não tinha permissão para explorar as ruas que circundavam nosso condomínio. Assim que desci, vi perto da quadra os garotos mais velhos com suas bikes exibindo as habilidades que eles, com mais idade que eu, já tinham: empinavam, davam cavalinhos de pau, guiavam sem as mãos. Vendo meu olhar de curiosidade e fascínio, me chamaram para integrar o grupo. Não sei se porque era normal para eles ou se era mesmo para me desafiar, eles se puseram a fazer umas manobras bem difíceis, como pedalar entre os carros estacionados. Para não ficar para trás, fui eu passar nas vagas com minha magrela quando me desequilibrei e caí em cima de um Monza bege que estava à direita. O guidão fez um risco profundo na lataria do capô. Levantei rápido, quis disfarçar. Mas é claro que eles viram. “Ferrou”, gritou um deles, que se pôs a pedalar. O resto também fugiu. Tratei de pegar rápido a bicicleta, sair de fininho e voltar logo para casa.

Mal tinha entrado no meu quarto, a campainha tocou. Ouvi uma voz nervosa e alta de um homem na sala. Dois xingamentos me bastaram para cair na real: era o dono do carro! Meu coração acelerou, gelei o corpo inteiro e sentei do lado da cama, calado e imóvel para não levantar suspeitas de que eu estava lá. Ele esbravejou, xingou, mas minha mãe me defendeu. Ela mal conseguiu, é verdade, mas quando ouvi ela tomando meu partido, dizendo que éramos crianças e que ele não tinha provas de que tinha sido eu mesmo, senti uma calma profunda, uma sensação de que meu quarto tinha ficado maior de repente e nada podia me alcançar. Minha mãe não sabia que tinha sido eu, mas ao enfrentar o homem possuído de raiva tinha tirado de mim uma responsabilidade que eu não conseguiria assumir. Imagina se eu mesmo tivesse que ir à sala, olhar para cima e falar para o dono do veículo: “Fui eu mesmo, por quê? Vai encarar?” Nem que eu tivesse superpoderes!

Lembro-me dessa história toda vez que sou pego pelas responsabilidades da vida adulta – e tenho pensado nisso cada vez mais, já que estou sendo irremediavelmente atraído para a faixa etária dos 30 anos. Ficar adulto é isso, afinal: sermos responsáveis pelas decisões que tomamos, pelas escolhas que fazemos e pelos atos que praticamos. É quase como largar o casulo, deixar de lado a ingenuidade infantil e a inconsequência juvenil para tomarmos, de uma vez por todas, as rédeas da nossa vida. Claro que seria mais fácil ter alguém para ir lá na sala assumir por nós as responsabilidades que deveriam ser nossas. Mas não dá para passar a vida toda transferindo nossas responsabilidades aos outros. Assumir nossos atos, medos e tropeços pode nos transformar em pessoas melhores. Se você estiver mesmo disposto a admitir os seus, é hora de virar a página e descobrir por quê.

Infância perpétua

Em seu texto no qual descrevia o preceito do Iluminismo, o filósofo alemão Immanuel Kant dizia que o movimento baseado na razão e no conhecimento era a saída do homem de sua menoridade, pela qual ele próprio é responsável. Menoridade, nesse sentido, estava relacionada à incapacidade do homem de se servir do seu entendimento sem a direção de outra pessoa. Kant defendia que o homem, na maioria das vezes, está em estado de infância, mas que esse estado não é absoluto, nem uma imposição. Muitas vezes as pessoas se colocam nesse estado porque não são capazes ou não querem dirigir a si mesmas – preferindo que outros definam sua direção. “Se eu tenho um livro que me faz as vezes de entendimento e se tenho um médico que decide por mim sobre meu regime, não preciso me preocupar”, escreveu o filósofo, para explicar esse comportamento transferidor de responsabilidade a que nós nos submetemos vez por outra.

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A primeira vez que ouvir o ditado “é melhor puxar-saco do que puxar carroça” foi do meu ex-diretor administrativo e amigo de sempre Manoel Francisco de Assis.

Conversávamos sobre um notório publicitário que atende pelo seu pré-nome acompanhado de uma alcunha no diminuitivo. O dito cujo, muito próximo da ex-governadora Roseana Sarney, estivera na empresa para apresentar o material publicitário que íamos colocar na rua.

Mas, vamos ao que interessa neste post que é fazer uma leitura empírica sobre a psicologia do puxa-saco.

Em primeiro lugar, há “puxas” e “puxas”. O que difere uns dos outros não é tanto grau ou intensidade da “puxada”, mas o que está por trás do ato de “puxar”.

Há aquele puxa-saco que realmente sente carinho, amizade, afeto e respeito pela pessoa a qual se relaciona. Esse é tipo que “puxa” porque tem admiração e acaba confundindo o sentimento de zelo pelo amigo/chefe com exagerado cuidado, o que acaba tornando-o um puxa-saco clássico, por assim dizer.

Existe ainda o tipo de puxa-saco pegajoso, que não sai da cola da pessoa, não dá um tempo para o cara respirar, que arruma o cabelo do sujeito, limpa a boca e se duvidar acompanha o chegado até o banheiro para limpar o “cibico” do cidadão. É tipo de puxa-saco mala e geralmente falso.

Entretanto, tem um tipo de puxa-saco perigoso.

É quando as intenções das “puxadas” estão associadas a algum interesse específico, tirar alguma vantagem material e onde há ausência de qualquer sentimento sincero tipo amizade e lealdade.

Nesse sentido, é muito bom ter cuidado com os excessos de quem tem por hábito, e faz disso um modo de vida, a bajulação. É verdade que tem quem goste de ser babado, mas os laços entre o puxa-saco e o “puxado” via de regra são frágeis, lembra um pouco a relação entre o corrupto e corruptor.

Evidente que não precisamos puxar o saco de alguém para conquistar sua amizade e confiança. Aliás, o puxa-saquismo é uma péssima via para agregarmos algo de bom em nossas vidas.

Seja como for, puxar-saco é um tipo de comportamento que não ficou para qualquer um. Há quem diga, inclusive, se tratar de uma arte!

Confesso que dessa arte esqueci de me inteirar.

É mais fácil eu ter que puxar carroça, infelizmente.


O objetivo é fazer com que usuários percebam a importância de se desconectarem do mundo virtual e aproveitar mais o mundo fora da tela

Redação, Administradores.com

Uma ação desenvolvida pela agência Makers Society está alertando clientes sobre lugares que não têm conexão com a internet. Mas, calma, tudo é por uma boa causa.

O objetivo é fazer com que usuários percebam a importância de se desconectarem do mundo virtual e aproveitar mais o real, abrindo mão de smartphones e descobrindo sensações que alguns lugares podem transmitir “na prática”. As placas foram fixadas em lugares turísticos e com paisagens paradisíacas. Se você é um dos que passam 100% do tempo conectados, vale prestar atenção no ideal da campanha e aproveitar mais o mundo fora da tela.

Abaixo você confere um vídeo produzido pela agência sobre a campanha: