FRASE DO DIA

Pretendo ser candidato ao Governo do Maranhão pelo PSB e com apoio do PSDB.

(Roberto Rocha)

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A declaração do senador pelo estado de Humberto Costa (PT), uma das principais vozes da oposição ao governo Michel Temer no Congresso Nacional, foi dada em entrevista exclusiva ao Blog do Robert Lobato, onde também comenta sobre um convite, supostamente feito pela presidente do PT, Glesi Hoffmann, para que o Flávio Dino seja o vice numa eventual candidatura de Lula a presidente,

Veja também em Brasil 247 – Conhecido pelas suas posições sempre muito equilibradas, porém firmes, o senador petista Humberto Costa falou ao Blog do Robert Lobato que inexiste a possibilidade do PT apoiar quaisquer nomes caso o presidente Michel Temer caía e haja uma eleição indireta no país. “Inexiste essa possibilidade, pois entendemos que estamos diante de uma processo ilegítimo”, assegura.

Humberto Costa também foi duro ao criticar a condenação do presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro por entender que se trata de um “processo político” e que o magistrado “criou uma teoria para condenar o Lula”.

O senador pernambucano também respondeu sobre a possibilidade do PT apoiar a candidatura do ex-governador Ciro Gomes (PDT) a presidente da República caso Lula realmente fique impossibilitado de concorrer ao pleito do ano que vem. Para Humberto Costa, além de ser muito cedo para tratar do assunto, ele acredita que o Ciro “tem boas posições políticas, foi um bom governador, mas é inegável que possui um temperamento pessoal extremamente difícil de ser administrado, então corre-se o risco de, o apoiando, não chegarmos nem ao final da campanha“.

Por fim, o Humberto Costa comentou sobre um convite supostamente feito pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, para que o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “O governador tem feito um bom trabalho no Maranhão, tem implementado políticas sociais avançadas, mas vai caber a ele decidir, que está fazendo uma mudança de poder no Maranhão, deveria deixar isso pela metade”.

A seguir a íntegra da entrevista.


Em entrevista a O Imparcial, senador rechaça críticas de rivais, esquece aliança vitoriosa com o PCdoB em 2014 e projeta retorno ao PSDB para a disputa do governo do estado

Por: Paulo de Tarso Jr.

Aliado do governador Flávio Dino em 2014 quando se elegeu senador, Roberto Rocha (PSB) assumiu ser pré-candidato para concorrer ao governo do estado em 2018. A decisão está tomada independentemente se vier a ser chamado de traidor. Adjetivos como este são apenas “mimos” para o parlamentar. Em entrevista a O Imparcial, Rocha rebate, com
veemência, as críticas de adversários políticos, condena o que ele classifica de apequenamento do PCdoB e até projeta um possível retorno ao ninho tucano do PSDB para a disputa do governo do estado. Com certa soberba, o senador repudia opiniões divergentes e revela ter tido atuação fundamental para Dino chegar ao Palácio dos Leões: “Isso os comunistas escondem”.

Senador, por que o senhor decidiu concorrer ao governo do estado? O senhor não era aliado do atual governador Flávio Dino em 2014? O que mudou na relação de vocês?

Nossa aliança foi vitoriosa e proveitosa para ambos. Eu fui eleito para o Senado e ele foi eleito para o governo. Esse é o sentido das alianças, na política: juntar forças e fazer convergir os projetos. Em 2014, o PCdoB apoiava o PT para presidente, mas, no Maranhão, o PT se coligou com o grupo Sarney. Como o PCdoB poderia ser candidato ao governo do estado sozinho? A candidatura de senador está na conjuntura de governador, é verdade. Mas a de governador, de igual modo, está na conjuntura de presidente. Foi a minha
presença na chapa que garantiu o apoio do Aécio e do Eduardo, e depois da Marina. Isso os comunistas escondem. Não havia nessa aliança de 2014 nenhuma cláusula de permanência para 2018. Assim como não havia também na aliança entre o PSDB e o PCdoB. Tanto que, logo no segundo turno, Flávio Dino votou na Dilma do PT e fez questão de anunciar aos quatro cantos. Ninguém cobrou nada, nem o chamou de traidor. Mais tarde, saiu pelo Brasil chamando os aliados de 2010 e 2014 de golpistas. Não vejo ninguém cobrando coerência do PT, por exemplo, por ter apoiado o grupo Sarney e agora defender, entre muitos dos seus dirigentes, uma aliança com o PCdoB. Mas parece que comigo exigem uma espécie de fidelização ao passado que não encontra nenhuma justificativa política.

O senhor se considera pronto para disputar o governo contra Flávio Dino?

A política em si mesma é uma prontidão. Quem responde por isso é a minha biografia.

Em entrevista a O Imparcial, o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) disse que o senhor “nada fez pelo Maranhão” e que estava arrependido de ter apoiado sua candidatura ao Senado. O que achas disso? 

Recebi com a tranquilidade de quem sabe o preço que se paga por ter posições firmes e claras. O juiz do meu trabalho é o povo do Maranhão. Não é um deputado a mando de seu grupo político. Como até agora se negam a entender para que serve um senador, certamente saberão em 2018. E, em seguida, saberão também para que serve um governador.

Como o senhor recebe as críticas de que estaria “isolado” no cenário político por ser “egocêntrico”?

Nós vivemos numa cultura política de servilismo. Quem não se submete, como eu, acaba recebendo esses mimos que eu acolho como troféus.

O que o PCdoB significa para o senhor atualmente? Existe alguma mágoa da sua parte com o PCdoB? A aliança com o PCdoB foi apenas um trampolim para conseguir chegar ao Senado?

Como o PSB, que é muito maior que o PCdoB, poderia ser um trampolim? Não seria o contrário? Isso é uma incompreensão do que seja uma aliança política. Até onde eu sei, basta ver a entrevista do deputado Othelino: é o PCdoB que está revelando mágoas a ponto de ser deselegante com a soberania do voto popular que me elegeu. Será que o deputado acha que se elegeu exclusivamente por causa dos outros? Ele não tem história, não tem valor?

O que fez a sua relação com o PCdoB azedar?

A incapacidade do PCdoB de superar sua intoxicação ideológica e abraçar verdadeiramente um projeto de desenvolvimento capitalista para o Maranhão como havia prometido durante a campanha. O partido se apequenou ao se fechar numa ostra doutrinária que não dialoga com as forças empreendedoras que poderiam liberar o potencial de crescimento do Maranhão. Flávio Dino, como outros, prefere explorar a pobreza para dela tirar proveito político. Eu, ao contrário, prefiro explorar a riqueza, para promover justiça social.

A presença da ex-governadora Roseana Sarney atrapalha ou ajuda a sua pré-candidatura? E Maura Jorge?

Quanto mais candidaturas houver, melhor. O importante é que a população confronte as ideias e vote com clareza sobre o melhor rumo para o Maranhão.

E como está a sua relação com o PSDB? O senhor tem interesse em voltar ao ninho tucano?

Minha relação com o PSDB é a melhor possível. Recebo, diariamente, acenos para voltar ao ninho tucano. Mas tenho dito e reitero que meu objetivo é disputar as eleições pelo PSB. No entanto, não nego a possibilidade de, se a dinâmica política exigir, empunhar novamente a bandeira da social-democracia.

Hoje, o vice de Flávio Dino é Carlos Brandão, do PSDB. Não seria uma incoerência o seu retorno ao partido para concorrer ao governo tendo o Brandão como braço direito do governador?

Tenho apreço pelo Brandão, mas nem ele e nem eu somos maiores que os partidos. O PSDB sempre foi historicamente rompido com o PCdoB, mas você só vê incoerência se eu voltar ao PSDB, mas não vê incoerência no PSDB se alinhar a um adversário histórico. E nem vê incoerência no governador usar a
máquina do governo para cooptar meu partido.

O que o leva a acreditar ser o próximo governador do Maranhão? 

Eu submeto meu nome ao julgamento popular. Não me coloco como próximo governador, o que seria pretensioso da minha parte.

Qual candidato o senhor pretende apoiar para o Senado? O nome da deputada federal Eliziane Gama agrada para estar na sua chapa?

Ainda é muito cedo para conversar sobre composição de chapas. Por mais que eu respeite e admire a deputada Eliziane, qualquer antecipação de nomes seria mera especulação.

Senador, como o senhor analisa os pré-candidatos ao Senado? Qual deles tem mais chances do conseguir ser eleito?

As pesquisas têm demonstrado que não há favoritismo, por enquanto. Há vários nomes com grande potencial para serem eleitos, mas o que determinará isso será a consistência das alianças e a capacidade das
coligações de conquistar o coração e a mente dos maranhenses.

Recentemente, o senhor rebateu algumas críticas do ex-deputado e candidato ao Senado em 2014, Gastão Vieira. O senhor acha que ele tem condições de conseguir uma vaga para o Senado desta vez?

Dependendo da engenharia política, da conjuntura que ele estiver, é claro que tem condições de conseguir se eleger. As pesquisas não deixam dúvidas de que o ex-deputado é um player que está no jogo. Diferente de deputado, ninguém se elege senador fruto de uma campanha, e sim de uma história. Ele tem estrada, tem história.


Para Ruy Fausto, sigla deve se articular com outras frentes e partidos, como o PSOL, nas eleições do ano que vem

Marianna Holanda, O Estado de S. Paulo

É de esquerda e critica o chavismo, trotskismo, maoismo e o marxismo. Repudia todas as formas de populismo, totalitarismo e adesismo – às quais tem dado o nome de “patologias da esquerda”.

Aos 82 anos, o professor emérito de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Ruy Fausto, radicado na França, transformou o artigo que publicou na edição da revista piauí de outubro passado no livro Caminhos da Esquerda: elementos para uma reconstrução (Companhia das Letras), a ser lançado em 3 de julho.

Em entrevista ao Estado, Fausto defende o fim da hegemonia do PT no campo da esquerda e a formação de uma frente única progressista para a eleição presidencial de 2018 com, por exemplo, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

ESTADÃO – Há uma hegemonia de direita?

No mundo, há uma ofensiva grande da direita que surgiu, principalmente, com o fim da União Soviética. Me assusta muito, particularmente, a extrema direita, que tem uma linguagem muito violenta. Tem ainda a situação brasileira, com o PT, que acabou fortalecendo a direita. A política petista trouxe maior distribuição de renda, mas também houve uma corrupção absolutamente intolerável. Ainda assim, nada justifica o impeachment (da presidente cassada Dilma Rousseff), que foi um desastre. Mas a direita se lançou nessa aventura, conseguiu e isso permitiu que eles levantassem a cabeça. A corrupção foi um discurso bem apropriado pelos movimentos de direita.

RUY FAUSTO – Como o senhor avalia as críticas ao que o PT fez enquanto ocupou o governo?

Um partido de esquerda que se pretende democrático tem de ter lisura administrativa absoluta. Há uma política de “fins justificam os meios”. A lição que se tira no PT hoje é: “nós não fomos suficientemente oportunistas”. Isso é um desastre total e tem intelectual saudando isso aí. Certamente faltou um mea-culpa. Nesse sentido, os melhores são o Tarso Genro (ex-governador do Rio Grande do Sul), o José Eduardo Cardozo (ex-ministro da Justiça no governo Dilma). O PT vai continuar a existir. Mas o caminho é de queda, para haver uma renovação.

Lula seria um bom candidato?

Acho que não. Primeiro, acho muito difícil que ele concorra, a situação jurídica é muito difícil. Eu não desejo a condenação do Lula, embora ache difícil ele conseguir evitar isso. Desejo, sim, que ele possa legalmente se candidatar, mas não acho que, nas condições atuais, ele seria um bom candidato para a esquerda. Acho que os melhores nomes podem vir do PT, do PSOL, ou mesmo da sociedade civil.

O senhor acredita que a esquerda deveria sair unificada em 2018?

Sim, é essencial que se crie uma frente única de esquerda, fazer uma espécie de fórum desses movimentos independentes. Não é para ter uma ruptura total com o PT, mas a hegemonia não pode mais ser dele, no campo da esquerda. Isso também não significa que a gente vá ganhar em 2018. A gente tem de ter uma boa campanha. E, aí, surgem possíveis nomes. O Fernando Haddad (ex-prefeito de São Paulo), por exemplo, é bom sujeito, competente, não é corrupto. Outro nome é o Marcelo Freixo, que me parece um sujeito bom. Acho que talvez o Fernando Haddad possa sair como candidato ou como vice. Às vezes, um dos melhores do PT com um dos melhores do PSOL poderia funcionar.

Mas Fernando Haddad não conseguiu se reeleger em São Paulo e Marcelo Freixo também não foi eleito prefeito no Rio na eleição do ano passado…

O Haddad, eu não estive aqui (no Brasil) durante toda a sua gestão na Prefeitura, mas tenho a impressão de que fez um bom governo. Ele teve uma péssima campanha, foi muito atacado e avaliou mal os movimentos das ruas. Já o PSOL é até meio de extrema esquerda. Há muito essa ideia de que se deve ir mais à esquerda – como se a luta política fosse uma espécie de escala. Você pode até dizer isso, mas redefina a esquerda. Enfim, o PSOL tem seu mérito por ter criticado a corrupção e as alianças sem escrúpulos do PT, mas ainda é de extrema esquerda. Alguns flertam com chavismo e castrismo. Mas, na verdade, é um partido muito variado.

Existem ainda outros nomes que surgem: o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o Guilherme Boulos, líder do MTST, e mesmo a ex-ministra Marina Silva (Rede).

A Marina, eu respeito a biografia, mas seu programa econômico não é bom e ela não se move muito bem na política. O Ciro é um sujeito que fala muitas verdades, mas fala demais. O Boulos não conheço de perto. Ele certamente faz um trabalho muito importante na periferia, mas ainda tem um discurso muito bolivariano, e acho que isso tem de mudar. Devemos priorizar um programa mais democrático.

*Ruy Fausto é doutor em Filosofia pela Universidade de Paris I e professor emérito da USP. Irmão do historiador Boris Fausto, escreveu livros como A esquerda difícil, em que fez rigorosas análises políticas. Aos 82 anos, lançará uma obra com possíveis saídas para a crise da esquerda no País.

 


O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega

Para ex-ministro de José Sarney, situação de Temer é melhor, mas fim do mandato pode ser tão difícil quanto em 1989

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

O presidente enfrenta sua pior crise desde que assumiu o Planalto. Impopular, ele tenta aprovar um pacote de reformas que desagrada a sociedade e faz o custo da relação com o Congresso subir rapidamente. O resultado da próxima eleição direta ainda é imprevisível, e a fraqueza do governo torna a passagem do poder sem solavancos o seu maior objetivo.

A cena descreve o Brasil de 1989, mas a semelhança entre o desfecho do governo de José Sarney – primeiro a comandar o País após a redemocratização e a morte de Tancredo Neves – e a tempestade que Michel Temer tem à frente não passou despercebida por analistas políticos e econômicos.

Último ministro da Fazenda de Sarney, Mailson da Nóbrega receia que Temer perca capital político e tenha um fim de mandato instável, como o do maranhense. Agora, contudo, ainda é cedo para dar como certa a “sarneyzação” do atual presidente e há mais diferenças do que semelhanças entre os dois, ponderou o economista, em entrevista ao Estado.

Os dias que se sucederam à divulgação da conversa do presidente Temer com Joesley Batista têm sido difíceis para o Planalto. Alguns analistas avaliam que o governo corre o risco de “sarneyzação”. Esse perigo é real?

Acho que Temer ainda passa longe de uma experiência como aquela. No fim da década de 1980, o poder estava dividido entre José Sarney e Ulysses Guimarães. Ulysses era o triplamente poderoso presidente da Câmara, do PMDB e cérebro da Constituinte, tinha poder até de vetar nomeações de ministros. Hoje, o centro político está em Temer. No campo da organização do Estado, o Brasil também evoluiu muito – não tem mais banco estadual quebrando toda semana, vários setores foram privatizados. A crise é dura, mas lembra da inflação? A situação de Temer é muito melhor do que a que vivemos no governo nos anos 1980. O Brasil também não tem crise cambial, continua sendo um mercado muito atrativo para o capital, mostra ser seguro e rentável.

Apesar das diferenças, o que aproxima os dois governos?

As semelhanças entre Temer e Sarney tendem a aumentar com o tempo, na medida em que o presidente levará seu último ano com dificuldade, com o agravamento desse ambiente de denúncias e ameaças de impeachment. A experiência brasileira mostra que, quanto menor o capital político do presidente, mais se fortalece a percepção de que a equipe econômica vai ser a âncora do Executivo. Quando ela se torna fonte de credibilidade e a sua saída sugere que haverá mais crise, ganha capacidade de resistir às pressões políticas.

Pressões por uma revisão da política econômica atual?

Sim. Essa é a segunda semelhança entre Temer e Sarney: no entorno do presidente, ter pessoas achando que a economia atrapalha, que ele pode ganhar popularidade aumentando gastos. Isso sempre vai ter, mas a capacidade de resistência da equipe econômica também tende a dobrar nesses momentos, porque há o risco de se tentar impor uma mudança de rumo na economia e isso resultar na saída desse grupo do governo, com consequências.

Isso aconteceu enquanto o senhor comandou a Fazenda?

Fizemos o Plano Verão (uma das tentativas de controle da inflação, em 1989, mas que não funcionou), com a intenção bem modesta, de que durasse até dezembro. O Congresso só aprovou o congelamento de preços, rejeitou a extinção de órgãos, a demissão de funcionários públicos, as privatizações. A ideia começou a morrer no segundo dia. Chegamos ao ponto de dizer que o objetivo daquela política econômica era fazer o País funcionar apenas perto do normal.

As reformas de Temer não podem ter o mesmo destino?

Sarney estava com capital político quase zero, Temer leva uma vantagem em relação aos seus antecessores, a de ter presidido a Câmara antes de chegar ao Planalto. Ele está acostumado ao jogo parlamentar e sabe bem como usar os recursos do poder, o que tende a neutralizar pautas-bomba. A oposição não tem influência para bloquear as reformas, ela só tem força para gritar, subir na mesa, mas é minoria. Alguma versão das reformas deve passar. A trabalhista é praticamente certa, ela venceu passos decisivos antes de ir ao plenário do Senado. Na pior das hipóteses, na da Previdência passará só a idade mínima. Ela é importante, talvez só não tenha sido bem explicada.

A falta de comunicação não era um dos problemas dos planos econômicos de Sarney?

Na época do Plano Verão, explicamos bastante, sim.

Nesse pouco mais de um ano, a equipe Temer fez mais ou menos do que se esperava dela?

A equipe do governo atual fez muito mais do que o esperado e eu duvidava que conseguissem avançar, após o trauma de um novo impeachment. Em pouco mais de um ano, eles mudaram a regra da Petrobrás nos leilões, aprovaram uma lei sobre governança das estatais, acabaram com aquela regra estúpida de não poder ter terceirização para a atividade fim, mexeram na DRU. O governo conseguiu montar uma boa equipe para avançar na infraestrutura, abandonou o voluntarismo do período em que Dilma Rousseff esteve no poder. Basta olhar para os leilões de aeroportos, em que os principais grupos do mundo se interessaram em investir nos terminais do Brasil. Nem mesmo a longa crise econômica conseguiu diminuir o interesse estrangeiro por fazer negócios no País.

Uma outra preocupação é que a corrosão das forças políticas tradicionais deixe a eleição do ano que vem parecida com a de 1989. O senhor concorda?

É um exagero. A campanha de 89 foi influenciada pela situação econômica e social, pela inflação galopante e as incertezas daquela época. Mas também tinha o fator novidade, de o País ter ficado sem votar para presidente por quase 30 anos, eram vários candidatos parecidos esperando na fila, achando que era a vez deles. Conclusão: muitos só somaram 5% dos votos. A tendência agora é ter uma aglutinação.

Como era ser ministro de um governo enfraquecido?

Foi um período de enorme tensão para o País. Eu trabalhava 14, 16 horas por dia, não tinha sábado nem domingo. A gente não sabia o dia de amanhã, havia muitas greves, insatisfação popular e dificuldade para aprovar o mínimo. Na época, eu tinha ganho um litro de uísque e dizia que, quando entregasse o cargo em março de 1990 à Zélia Cardoso de Mello, ministra que me sucedeu, dormiria por dez anos depois de tomar aquela garrafa sozinho…


via Folha Dirigida

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Como não se deixar abater por eventuais reprovações e fracassos? Como manter­-se firme, confiante e determinado? Afinal, todo mundo, ao menos um dia ou por algum tempo, se acha uma verdadeira fraude…

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O jornalista e blogueiro Luis Cardoso concedeu entrevista exclusiva para o Blog do Robert Lobato onde faz graves acusações de perseguição que estaria sendo vítima do governador Flávio Dino (PCdoB).

Cardoso, que é atualmente o blogueiro mais acessado do Maranhão e um dos prestigiados do Nordeste, afirma que o governo Dino é uma ameaça à liberdade expressão e considera que o comunista, nesse aspecto, é igual ao ex-presidente Sarney.

“Não conheço processos de Roseana Sarney contra jornalistas. Mas Flávio Dino é opressor das liberdades de imprensa, assim como o ex-senador José Sarney. Nisto eles dois se parecem.”, afirma.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Confira a entrevista do jornalista Luis Cardoso, um dos jornalistas mais experientes do Maranhão.

Você publicou uma carta aberta de onde faz duas denúncias graves. Primeiro que estaria em curso um ação da Polícia Federal para te preder. E, segundo, que o principal interessado na sua prisão é o governador Flávio Dino. O que te faz sustentar isso?

Duas semanas antes da deflagração da operação Turing no Maranhão, notadamente em São Luís, o secretário Márcio Jerry, já anunciava a prisão minha e de meus filhos jornalistas e blogueiros pela Polícia Federal. Veja que o MPF pediu as prisões temporária em primeiro momento e num segundo a preventiva de um blogueiro ligado ao governador. A Justiça Federal não acatou. A amizade do empresário Wilson Mateus fez com que ele fosse depor em Brasília e tentou me incriminar, mas as acusações não se sustentam, são contraditórias. Vejo que a operação é dirigida a mim e meus familiares. Por isso estou denunciando o caso para a OAB, Supremo, CNJ, Corregedoria da Polícia Federal, a ONU, Fenaj e ao nosso Sindicato dos Jornalistas do Maranhão.

Você considera que o governador Flávio Dino tenha tamanha influência sobre a Polícia Federal a ponto de fazer que você seja preso por ela?

Flávio Dino foi juiz federal e presidente da Associação Nacional dos Juízes Federais. Ele tem penetração na Justiça Federal e, consequentemente, uma boa relação com a Polícia Federal. Veja que o foco da PF era chegar a um agente federal que foi preso e exercia o cargo de secretário adjunto da SEAP. Ele foi exonerado um mês antes da deflagração da operação. Jerry sabia da operação de forma antecipada. Eu não tenho a menor ligação com esse agente e a PF sabe disso. Mas decidiram continuar com a operação para apurar extorsão, o que nem é de competência da PF neste caso.

Qual o sentimento que fica em um profissional de imprensa com mais de trinta de anos experiência na área, como é o teu caso, ser levado coercitivamente a depor na PF sob acusação de extorsão de políticos e empresário?

Olha, foi com muita tristeza que recebi cedo da manhã policiais federais com decreto de prisão temporária e não coercitiva. Sabe, voce passa 36 anos no exercício concreto do jornalismo sem uma nódoa durante todo esse tempo, ter um dos blogs mais acessado no Nordeste, e depois ser acusado daquilo que não á prática da sua vida, é chato. É dolorido. Como prova de que as pessoas acreditam em mim, meus acesso fizeram foi aumentar. Mas iremos provar que a operação foi equivocada no Maranhão.

Você teme que apareça algum político ou empresário com provas de práticas de extorsão contra sua pessoa?

Eu tenho receio de armação. Sou hoje no Brasil o blogueiro mais processado e também o mais ameaçado. Confesso que perdi alguns casos, mas a ampla maioria a gente derrubou. São políticos e empresários que se sentem atingidos por denuncias. Nenhum deles foi registrar queixas por tentativa ou extorsão. Só o Mateus que em 2013 fez um BO sobre infâmia, calúnia e difamação que eu só tive conhecimento agora nesta operação. Por qual razão ele não deu prosseguimento?

Você tem três filhos blogueiros, todos com blogs bem acessados no estado. Como é relação profissional entre vocês? Há sociedade, negócios ou relação comercial?

Só relação familiar mesmo. Eu até que gostaria que nenhum deles fosse exercer a mesma profissão. Mas filho de médico quer ter a profissão do pai, assim como jogador de futebol, juiz de direito, e por aí vai. Às vezes eu sou cobrado por amigos ou clientes do blog por causa de denuncias feitas por eles. Assim como não aceito censura, não censuro o trabalho de ninguém. Muitos conhecem essa verdade.

Você considera que a liberdade de expressão corre risco no Maranhão sob o governo Flávio Dino?
Claro que sim. A questão é séria. Neste aspecto ele não nega que é comunista. Ele odeia a liberdade de imprensa e deve ficar incomodado com os entendimentos do STF quando trata da liberdade de expressão e de imprensa. Dino processa vários blogueiros e jornalistas. Fui crítico ácido de Roseana e Ricardo Murad, mas nunca fui processado por nenhum deles. Flávio Dino me processou junto ao TRE e perdi, mas recorri e a ministra Cármem Lúcia derrubou a decisão. Depois ele entrou com mais um processo por danos e o juiz concedeu, me parece que algo em torno de R$ 26 mil. Recorri da decisão e tenho certeza que ganharemos no Supremo. Ele já abriu um criminal para que eu seja levado à cadeia. Mas não vai conseguir.

Na sua avaliação o dinismo é mais opressor do que o sarneysismo?
Não conheço processos de Roseana Sarney contra jornalistas. Mas Flávio Dino é opressor das liberdades de imprensa, assim como o ex-senador José Sarney. Nisto eles dois se parecem.

O que deve ser feito para o profissional de comunicação não transformar a liberdade de expressão em escudo para atacar, achincalhar, desrespeitar autoridade públicas, empresários e mesmo o cidadão comum?
Se você não tiver documentos que provem sua acusação, aí sim você merece ser punido. E a punição nestes casos deve servir como lição. Geralmente que te passa documento de provas são os adversários de quem vai ser denunciado. Veja o que vem acontecendo hoje no Brasil. É preciso sim passar o pais a limpo, fazer essa faxina. Os blogs viraram febres por causa das denúncias, da coragem dos blogueiros. É a tal coisa: quem não deve não teme.

Como você vê a blogosfera maranhense atualmente?
A blogosfera é hoje a maior e mais fácil ferramenta de informar o cidadão. Hoje ninguém faz mais nada escondido dos olhos dos blogueiros. Aqui no Maranhão ele se disseminou. Os blogs existem nas cidades e nos bairros. Cheguei a ser presidente da Amablog por curto tempo. Deixei um mês antes da operação da PF. Aqui ninguém se une. Em quase todos os estados existem as associações, mas aqui pouca coisa funciona. Tenho um blog, mas prefiro ser jornalista.

Além do receio de ser preso, como colocado na sua carta aberta, você teme pela sua vida?
Bem aqui que mora o perigo. Quando houve o decreto de prisão temporária nós iriamos cumprir no Quartel do Corpo de Bombeiros. Mas após os depoimentos o delegado que chefia a operação concluiu que não havia a necessidade do prosseguimento da prisão e pediu a revogação e a Justiça Federal concedeu o Alvará de Soltura. Portanto, não fomos encarcerados. Dias depois eu soube que havia uma determinação governamental para que o Corpo de Bombeiros não nos recebesse. Então iríamos para Pedrinhas. Como faço denuncia contra as facções que controlam os presídios, claro que corro sérios riscos de vida se um dia for preso. Além disso, sou hoje o blogueiro que mais sofre ameaças.

Luis Cardoso é um homem rico?
Sou rico, sim, das graças de Deus. Fui evangélico até meus 17 anos e voltarei a sê-lo. Não tenho bens materiais. Não existe um imóvel eu meu nome e nem carro. Quem me conhece sabe que alugo carro. Não sou vaidoso e nem ostento, embora goste de morar bem, mas sempre de aluguel. Alugava um carro que a PF cismou que é meu e nunca foi. Por causa da retenção injusta do veículo, tive que alugar um outro. Ai estou pagando dois por um e me enchendo de dívidas. O que gosto mesmo é de ajudar as pessoas. Talvez, por isso, quase não tenho nada.

Você tem pretensões política em 2018?
Não, não tenho. Fui candidato uma vez para vereador e desisti no caminho. Ainda assim obtive quase 300 votos. Nessa época não havia blogs. Um comunicador se elegeu agora, o Marcial Lima para vereador e espero que ele se eleja para deputado estadual.

Cardoso, vou encerrar a entrevista fazendo uma pergunta que poderia ter feito logo no início: Quem é Luis Cardoso?
Uma pessoa humilde, sensata, mas muito corajosa. Jornalista profissional que nunca se envolveu em algo errado e nunca foi parar atrás das grades. Agora, neste momento, vivendo um momento em que travo uma batalha árdua contra um governador censor, uma operação da PF que tenta me incriminar. Me preocupa também que jornalistas não possam mais denunciar políticos empresários em nosso Estado, sob pena de serem acusados da prática de extorsão. Isto tem nome: cerceamento. Sou muito temente a Deus, a que sempre entreguei meus caminhos. Sou pai de seis filhos, tendo um menor de 12 anos. E depois que superar essa fase, escreverei um livro para que injustiçados não se acovardem e nem tenham receio de nada.


Autora de um livro sobre o suicídio sob o ponto de vista de quem fica, a jornalista explica que a pessoa apresenta uma série de sinais antes de se matar

Paula Fontenelle, jornalista, psicanalista e escritora. HENRIQUE PONTUAL

Em janeiro de 2005, o pai da jornalista Paula Fontenelle se suicidou. Contando hoje, ela consegue identificar uma série de sinais dados por ele antes de acabar com a própria vida e que, na época, ninguém percebeu. “Meses antes, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo”, diz, ilustrando um dos sinais clássicos de quem decide se matar: O planejamento financeiro dos que ficarão, que são chamados pelos médicos de sobreviventes. Depois que tudo aconteceu, ela decidiu mergulhar no assunto. Da dor, Paula publicou, em 2008, o livro Suicídio, o futuro interrompido – Guia para sobreviventes (Geração Editorial), indicado ao prêmio Jabuti em 2009.

Paula é hoje, além de jornalista, psicanalista, escritora e autora do blog Prevenção Suicídio. O nome do blog é a aposta da autora para a redução do número de pessoas que se matam e que hoje cresce como uma bola de neve em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos. Na prática, os conselhos de Paula para a prevenção do suicídio giram em torno de perguntar e ouvir. “Tem duas perguntas que você deve fazer a uma pessoa que pensa em se suicidar”, diz. “Onde dói, e como eu posso ajudar?”.

Pergunta. O luto de quem perde alguém por suicídio é diferente daquele que perde alguém por doença ou acidente?

Resposta. Eu acho que tem um ponto que é muito diferente e muito nocivo. Quando alguém morre por qualquer outro tipo de morte, as pessoas se interessam, perguntam. Se, por exemplo, foi um acidente, perguntam como foi, como a pessoa está. Querem saber sobre todo o processo da morte. No caso do suicídio, não. No momento em que você diz que a pessoa se suicidou, quem está ouvindo muda de assunto. Você se sente muito só. O tabu é muito grande. Muita gente esconde. Eu conversei com pessoas que pediram ao legista para alterar o atestado de óbito para, por exemplo, “acidente com arma de fogo”, porque não queria o estigma. Então além de você estar triste e passando por um luto normal, você passa pelo luto da incompreensão das pessoas e do tabu, porque ou a pessoa não quer falar ou pior, ela tem preconceito. Sem falar dos que se sentem culpados naturalmente.

P. Existe um sentimento de revolta com a pessoa que se matou?

R. Sim, a revolta é uma das fases. A primeira é o choque, mas isso é comum em qualquer morte. A segunda, é a raiva. Eu entrevistei uma mulher uma vez que fazia 20 anos que o marido tinha morrido e ela ainda tinha raiva. Tem gente que não sai dessas fases. A raiva é muito comum, porque é como se a gente se perguntasse “como essa pessoa pôde fazer isso comigo?”. A gente internaliza a morte do outro. No caso dessa mulher, por exemplo, é compreensível, porque a filha tinha uns sete anos e encontrou o pai morto. E ficou super perturbada. Então essa mulher dizia “eu nunca vou perdoar que ele tenha feito isso com as minhas filhas”.

P. E quais são as outras fases?

R. A culpa, que é quase inevitável. Tem um outro sentimento muito forte, e aí eu acho que é exclusivo de quem perde para o suicídio, que é o medo da hereditariedade. A gente começa a pensar “será que eu vou fazer a mesma coisa?”. O suicídio não é hereditário. O que pode ser hereditário, obviamente, é o transtorno mental. Mas o transtorno mental tem cura, tem tratamento. A minha irmã, logo depois que meu pai morreu, começou a tomar antidepressivo, mas ela já tinha depressão há muito tempo. E nela, foi acionado o gatilho oposto. Ela disse “eu não vou terminar como ele”.

P. O que aconteceu depois que o seu pai se suicidou?

R. Eu queria entender. Como acontece com qualquer um, você fica cheio de perguntas. Por que ele fez isso? O que leva uma pessoa a isso? Como eu não identifiquei? Será que ele disse para mim de alguma maneira e eu não consegui entender? Na época que comecei a pesquisar mais, este assunto não existia no Brasil. Comprei vários livros fora [do país], em inglês, e aí resolvi escrever o livro, porque tantas pessoas passam por isso no Brasil e precisam entender, precisam de informação e não têm. Do mesmo jeito que eu não tive. Por isso eu decidi escrever.

P. Nos seu livro, você fala em sinais que a pessoa dá antes de se suicidar e que podem ser perceptíveis. Quais são esses sinais?

R. Tem vários, e que são bem parecidos com os sintomas de depressão: Recolhimento, mudança de hábito – as pessoas começam a não se cuidar muito -, tristeza, isolamento. Muitas coisas se parecem, até porque a depressão é o transtorno mais associado ao suicídio. Os números mundiais mostram que mais de 90% dos suicídios são associados a algum transtorno mental. Um sinal bem importante é você deixar de sentir prazer em coisas que te davam prazer anteriormente. E existem alguns sinais que são específicos de quem está pensando em suicídio, já avançou na ideia e já está planejando.

P. Quais são?

R. Organização financeira. As pessoas se organizam, principalmente para a família não ter problema. Meu pai fez isso. Alguns meses antes dele se matar, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo. Ele fez isso porque sabia que eu poderia resolver qualquer coisa

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Em entrevista a O Imparcial, atual presidente da Agência Metropolitana revelou de que forma trabalhará para definir ações que possam fomentar o desenvolvimento dos 13 municípios que compõem a região metropolitana

Da Redação de O Imparcial

rente da Agência Metropolitana a pouco mais de 30 dias, o presidente Pedro Lucas Fernandes tem procurado manter diálogo constante com os gestores dos 13 municípios da região. O objetivo: levantar as demandas e articular soluções comuns às cidades.

Além de ter recebido inúmeras autoridades em seu gabinete, o presidente da Agem deu início, na semana passada, às visitas in loco, nas 13 cidades que formam a região metropolitana – instituída pela Lei Complementar 174/2015.

Pedro Lucas Fernandes se licenciou do cargo de vereador na capital, para assumir a Agência Metropolitana, órgão vinculado ao Governo do Maranhão.

Ele foi eleito pela primeira vez em 2012 e reeleito em 2016 como terceiro mais bem votado. Agora os desafios são outros.que elaborar o plano técnico, fazer organograma, definir funções e isso tudo leva tempo. Estamos superando a fase burocrática, para fazer a gestão metropolitana funcionar. O governador Flávio Dino já aprovou a implantação do Plano Metropolitano de Resíduos Sólidos, que faz parte do Plano de Ações da Região Metropolitana da Grande São Luís, elaborado pela nossa equipe.Esse é um passo importantíssimo e já vamos passar para a fase de licitação.

Como está o processo de metropolização?
O primeiro passo é institucionalizar a Agência. Precisamos fazer os 13 seminários nas cidades que compõem a região metropolitana, depois faremos a grande Conferência Estadual. Ela é importante para definir a colaboração dos municípios no fundo (metropolitano) e definir as principias frentes de trabalho, na questão dos resíduos sólidos, mobilidade, enfim. Nessa conferência é que o colegiado vai definir quais os rumos que a Agência vai tomar.

Como será a atuação da Agem diante das outras secretarias?

De articulação. Agora mesmo a gente tem um termo de cooperação técnica já elaborado pela Sinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura), vamos apresentar um outro (termo de cooperação técnica) com o Imesc (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos). Tem o PDDI (Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado), que é fundamental para os
municípios, porque ele é um instrumento obrigatório para promover o planejamento, gestão e execução das Funções Públicas de Interesse Comum (FPICs), de acordo com o Estatuto da Metrópole (Lei Federal 13.0.89/15). Essa etapa de consolidação e elaboração do PDDI, a Agência Metropolitana, conversar com as secretarias para articular essas políticas públicas de interesses comuns e efetivamente tirá-las do papel.

E das prefeituras?

A Agência tem um conceito diferente da gestão de governos anteriores. Pordeterminação do governador Flávio Dino, vamos construir parcerias com os municípios, dar satisfação do nosso trabalho, construir ações onde os prefeitos, as Câmaras de Vereadores e a Agem possam se envolver para juntos buscarem soluções.

Quais os planos para médio e longo prazo?

A longo prazo, esperamos fazer uma integração de todas as funções públicas de interesse comum, tanto da parte educacional, saúde, mobilidade urbana e saneamento básico. Esse é o ideal para que a região metropolitana, de fato, esteja 100% efetivada. A médio prazo, é construir um diálogo com as prefeituras, construir planos que possam desenvolver a região metropolitana.


O senador Roberto Rocha (PSB) concedeu uma boa em entrevista à revista Maranhão Hoje, edição de fevereiro, que ganhou grande repercussão na imprensa maranhense, em especial na blogosfera.

Aos entrevistadores Aquiles e Diego Emir (pai e filho), voltou a criticar o governo e o governador Flávio (PCdoB) pela falta de um projeto desenvolvimentista para o Maranhão.

Até o momento não houve um rompimento definitivo e oficial entre Roberto e Flávio, mas a cada dia o senador deixar claro que pretende mesmo se consolidar num campo político tanto de oposição ao grupo Sarney quanto ao grupo liderado pelo governador comunista.

Confira a entrevista na íntegra.

Via blog do Diego Emir

Maranhão Hoje – O senhor é autor do projeto de Zona de Exportação para São Luís em que estágio ele se encontra?

Roberto Rocha – O projeto encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para ser brevemente discutido e votado.

Qual a importância desta zona para a cidade e o estado?

Ela muda toda a dinâmica da economia do Centro Norte do país, com forte impacto, é claro, na economia maranhense. Deixamos de ter uma economia de enclave, como hoje, para termos uma economia de exclave aduaneiro, que favorece e emula a criação de cadeias de produção. Ao invés de exportar minério de ferro, alumínio, alumina e soja, ou seja, produtos semielaborados e primários, vamos exportar produtos manufaturados. É um salto gigantesco.

Outro projeto seu muda o conceito de semiárido. Qual o objetivo dessa mudança?

O objetivo é abarcar um punhado de cidades, muitas no Maranhão, que apresentam todas as características e as inconveniências decorrentes do clima semi-árido mas não estão contempladas nos critérios atuais. São cidades que estão sendo punidas injustamente.

Na sua opinião, o que seria prioritário para o Maranhão garantir o desenvolvimento econômico?

Prioritário é justamente mudar a lógica da economia de enclave que nos condena a ser apenas hospedeiros da riqueza alheia.

O senhor acha que o atual governo tem sabido conduzir uma política de desenvolvimento para o Maranhão?

Qual é essa política? Ampliar o que já existe, sem quebrar a lógica perversa que mantém o Maranhão no atraso? É muito pouco para o nosso potencial.

Onde ele estaria acertando e errando?

Acerta eventualmente no varejo, mas erra no atacado. O principal erro, infelizmente, é o interdito ideológico que não permite ver que apenas com o desenvolvimento econômico podemos sustentar um verdadeiro desenvolvimento social. Nesse sentido, minha maior diferença é justamente de visão do papel do Estado. O governador anunciou um choque de capitalismo mas até o momento tem dado choque apenas nos capitalistas, aumentando impostos e taxando a produção. Critico o comunismo para não ver meu estado sofrer um choque anafilático.

Em relação à política, como o senhor avalia a condução do governo do Maranhão com a classe, sejam deputados, senadores e lideranças?

Que condução? Existe uma tentativa de tratar a classe política como clientela, não como parceira. Base aliada é uma coisa, base alugada é outra.

O senhor vem fazendo duras críticas ao governo Flávio Dino. É inegável perceber que exista um rompimento. Em 2018 podemos imaginar um confronto entre Flávio e Roberto na disputa pelo governo estadual?

Não depende de mim esse cenário. Depende muito mais do Governo e do governador. Mas se, por atos e movimentações ele acabar cevando uma nova via política para disputar o poder, não serei eu a fugir dessa raia.

Existe alguma possibilidade de o senhor se unir ao grupo Sarney em 2018?

Não está nem esteve jamais em meus planos.

Em sua opinião, o PCdoB atrapalha o desenvolvimento do Maranhão?

Acho que é o desenvolvimento do Maranhão que está atrapalhando o PCdoB. Pois o Estado teima em crescer, nossos empreendedores insistem em empreender e isso parece que inibe o PCdoB com sua retórica anti-desenvolvimento.

O senhor pretende seguir no PSB ou deve retornar para o PSDB? Em qual dos dois partidos, o senhor acredita que teria mais condições de vencer o governo estadual em 2018?

Eu sigo no PSB, mas a dinâmica política não me impediria de voltar ao PSDB, onde deixei amigos e para onde sou permanentemente convidado. Mas não está no meu horizonte próximo.

O senhor foi o responsável por garantir boa parte dos apoios partidários da candidatura de Flávio Dino em 2014. Porém parece que nunca reconheceram isso. Como o senhor reage a esse fato?

Eu não espero reconhecimento. Espero apenas honestidade intelectual. Mas estou acostumado aqui no Maranhão onde é fértil essa confusão entre aliança e subserviência. As alianças são relações horizontais, mas na nossa cultura política, autocrática, parece difícil admitir isso.

Roberto, tu acredita que Flávio Dino chegará isolado em 2018 com apoio de apenas partidos da esquerda?

É um risco real o PC do B perceber um dia o seu verdadeiro tamanho.

Em sua opinião, Márcio Jerry é o governador de fato do Maranhão?

É você quem está afirmando. Me custa crer que possamos ter um governador putativo.

Na disputa pelo governo do Maranhão em 2018, o que você apresentaria de diferente para a população maranhense?

Uma proposta clara de como eu penso e qual o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. E uma visão que não coloca o Maranhão como refém do legado do sarneysmo.


O sempre atento e observador da cena política maranhense, o petista Evandro Sousa falou ao Blog do Robert Lobato sobre a conjuntura local e nacional à luz da crise política, do Processo de Eleição Direta do PT (PED) e da relação do partido com o governo Flávio Dino (PCdoB).

Segundo Evando, que reside em Brasília onde é funcionário de carreira da Eletronorte, o PT maranhense precisa dar uma chance ao bom senso e construir das bases para um projeto política próprio para não ter que ficar sempre refém de outros projetos.

“O PT do Maranhão, na sua origem, era referência regional. Só que as lideranças que dominaram o partido ao longo do tempo não conseguiram criar um projeto coletivo e isso fragmentou as relações internas acirrando as disputas mais que o normal. As consequências disso para a grande política no estado e que PT virou um elemento de adesão a projetos políticos de outros partidos, já que não consegue ter o seu projeto próprio”, avalia o petista.

Outra preocupação de Evandro Sousa é quanto à divisão da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que no PED concorrerá com duas chapas, um encabeçada pelo deputado Zé Inácio, e outra pelo  Secretário de Organização do PT/MA, Francimar Melo, que, aliás, é lotado no gabinete do parlamentar.

“Um partido rachado em suas disputas , normalmente criar desgastes na sociedade. Ainda mais quando não se consegue sequer unificar a maior corrente interna do partido. Espero que o bom senso prevaleça na CNB”, disse.

Por fim, Evandro Sousa, que foi coordenador da campanha de Roseana Sarney (PMDB) em 2010, comentou sobre a relação do PT com o governo Flávio Dino.

Segundo o petista, “o PT foi o primeiro a aderir ao nome de Flavio Dino enquanto projeto de renovação da política do Maranhão  já na eleição municipal de 2008 contra a candidatura do finado João Castelo. Apostamos ali em um projeto de esquerda para o estado”.

Confira a íntegra da entrevista.

“Por ser a maior liderança popular do país, Lula tem o perfil para gerar estabilidade nesse universo do caos que virou a política brasileira. Pode até não ser o nome das elites do Brasil, mas de fato o único com a capacidade para tirar o país dessa instabilidade política.”

Como você está vendo o Processo de Eleição Direta (PED) do PT no Maranhão?

O PT tem passado por transformações na sua democracia interna , começando pelas eleições de seus dirigentes . As mudanças que foram feita no PED proporcionaram uma nova dinâmica no partido onde as bases municipais têm um valor estratégico, nesse momento o importante são os delegados porque a votação para a direção estadual passará por um encontro , que forçará ao debate das teses apresentadas. Espero que o PED transcorra com tranquilidade e prevaleça o debate qualificado sobre os rumos que o PT do Maranhão deverá tomar.

A CNB, maior corrente nacional e no estado, tende a ter duas chapas no PED. Isso não enfraquece a corrente no estado?

Vejo com preocupação uma divisão nesse momento. A busca em todos os diretórios é evitar as formosas batidas de chapas. Onde for possível , termos que buscar chapa única com todas as forças internas, até para o PT ter mais unidade para falar pra fora do partido. Um partido rachado em suas disputas , normalmente criar desgastes na sociedade. Ainda mais quando não se consegue sequer unificar a maior corrente interna do partido. Espero que o bom senso prevaleça na CNB.

Por que historicamente tem sido tão difícil construir uma unidade mínima no PT no Maranhão em torno de projeto político e eleitoral?

O PT do Maranhão, na sua origem, era referência regional. Só que as lideranças que dominaram o partido ao longo do tempo não conseguiram criar um projeto coletivo e isso fragmentou as relações internas acirrando as disputas mais que o normal. Esse ambiente criou um partido que não consegue criar novas lideranças, as que aparecem só rapidamente neutralizadas, pois as antigas lideranças ainda possuem muitas “viúvas” que as representam. É só ver que até que não está mais no PT ainda dá pitaco e se mete nas questões internas do partido. Essa visão é prejudicial para um partido como o PT. As consequências disso para a grande política no estado e que PT vira um elemento de adesão a projetos políticos de outros partido, já que não consegue ter o seu projeto próprio.

Como o senhor avalia a relação do PT com o governo Flávio Dino?

O PT foi o primeiro a aderir ao nome de Flavio Dino enquanto projeto de renovação da política do Maranhão  já na eleição municipal de 2008 contra a candidatura do finado João Castelo. Apostamos ali em um projeto de esquerda para o estado. Quando foi em 2010, o PT seguiu as orientações da estratégia nacional para eleger Dilma e no estado tivemos que apoiar a candidatura de Roseana Sarney onde PT indicou o vice governador, o companheiro Washington Luis, que em 2012 viria a ser o nosso candidato a prefeito de São Luis e hoje, por conta da política e o apoio do seu companheiros de partido, é conselheiro do TCE-MA. O que quero dizer é que PT sempre esteve presente em um projeto de esquerda nacional, mesmo nas críticas às alianças locais . Atualmente o PT apoia totalmente o governo Flavio Dino, mas parece que os companheiros do PCdoB e o próprio Flávio ainda guardam resquícios de insatisfação pelo PT não ter apoio o PC do B em todas as eleições. O fato é que alguns que são “comunas” hoje sabem como o PT funciona, ou seja, não é o desejo local que estabelece sua orientação partidária, mas sim o projeto nacional.

Como você avalia a conjuntura nacional à luz da crise política e da possibilidade da volta do Lula a presidência?

O mundo passa por um processo de transição política das forças democráticas e progressistas para uma extrema-direita. A crise estabelecida pelo golpe parlamentar ocorrido contra Dilma foi a consequências de um modelo político falido, uma mistura de presidencialismo com parlamentarismo, o tal “presidencialismo de coalizão”, uma aberração para a democracia, coisa que até todo Prefeito sabe como funciona. Tem que fazer maioria no parlamento, caso contrário o governante está ferrado.

Dentro desse cenário que busca um equilíbrio político nacional é que surge o Lula, e por ser a maior liderança popular do país, ele tem o perfil para gerar estabilidade nesse universo do caos que virou a política brasileira. Pode até não ser o nome das elites do Brasil, mas de fato o único com a capacidade para tirar o país dessa instabilidade política.

A questão da Lava Jato é um ponto fora da curva que vinha muito bem, mas perdeu força quando começou a politizar suas ações. Hoje ela tem destruído a engenharia brasileira e levado o país a gerar milhões de desempregados liquidando a economia nacional. Coibir a corrupção e um desejo de todos, o que não pode é ter “dois chico diferentes”. Não me parece correto que destruam as nossas empresas e façam investigações seletivas de partidos. É só lembrar que grandes empresas ajudaram o Hitler na segunda guerra e nem por isso foram destruídas.