FRASE DO DIA

Destruir Lula é roubar a voz dos pobres, só um povo infantil faria uma coisa dessa

(Domenico De Masi, sociólogo italiano)

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Se a gente aprende desde criancinha que não se bate numa mulher nem com uma flor, imagina espancar um ser sagrado como a nossa mãe…

Advogado agressor da própria mãe recebe solidariedade de médico suplente de deputado.

Em meio a indignação que tomou conta da sociedade maranhense com vídeo em que o bacharel em direito Roberto Elísio de Freitas é flagrado em uma série de agressões físicas e psicológicas contra a própria mãe, de 84 anos, o médico e suplente de deputado estadual Yglésio Moyses tentou, por meio da rede social do Facebook, fazer uma defesa, na verdade criar uma justificativa para a barbárie cometida pelo tal advogado. Veja o que disse o sujeito:

“Antes de sair feito um doido indignado com o vídeo do homem que agrediu a mãe, tente entender a situação. O homem é obeso mórbido, desempregado, tem sinais claros de doença mental ali. Uma pessoa formada em Direito que não trabalha e gerencia apenas a pequena aposentadoria da mãe não parece ser normal. Outra coisa que chama a atenção é a postura passiva da mãe, como se aquilo fosse algo que já tivesse acontecido. Pra fechar, a pessoa que está do lado filmando não demonstrou grande indignação na filmagem, nem o próprio homem não se importou com ela filmando toda a situação, como se ele não tivesse noção daquilo que estava acontecendo. Tem muito traço de doença mental, com posibilidade de estar em surto psicótico mesmo. Pode ser fingimento? Pode, mas antes de julgar, aguarde ele ser avaliado por um especialista em Psiquiatria, não por você que é especialista em vida alheia. Não entre nesse parafuso de piração de blog. Blog quer acessos. Ponto.”

A impressão que passa, a partir das palavra do doutor, é que, por algum motivo, ele entende que precisamos ter certa complacência com agressores de mulheres e pior: das próprias mães. Um verdadeiro absurdo!

Ora, se a gente aprende desde criancinha que não se bate numa mulher nem com uma flor, imagina espancar um ser sagrado como a nossa mãe!

Não sei que tipo de doença psicológica ou psiquiátrica esse senhor Roberto Elísio de Freitas possui; não entendo até que ponto o fato dele estar supostamente desempregado seria motivo para torturar a mãe deixando de ser filho para se tornar carrasco da sua genitora.

A verdade é que nada justifica as cenas humanamente degradantes mostradas nos vídeos publicados nas redes sociais e blogs. Aliás, corre um áudio na internet onde alguém, que seria vizinho do filho agressor, traça o perfil dele como sendo uma pessoa que nunca passa de um plaboy, bon vivant que sempre viveu às custas dos pais.

E falando em blogs, o doutor Yglésio Moyses ainda teve o descaramento de querer desqualificar os blogs que divulgaram os atos insanos do advogado doidão.

Ah, vai plantar batatas, Dr. Maluquinho!


A maneira como nos relacionamos diz muito sobre quem somos

por Gustavo Gitti, via Vida Simples

Começamos olhando para aquele nosso amigo tímido. A timidez parece existir lá fora, como parte de sua identidade, certo? Ainda assim, há pelo menos uma outra pessoa que não vê timidez alguma ali e no mínimo um ambiente no qual ela não aparece. Agora expandimos tal contemplação para todas as qualidades que atribuímos aos outros. Alguma característica pode ser apontada como permanente? É verdade que alguns condicionamentos persistem mais, como em alguém que fuma há 30 anos, mas ele não é fumante por natureza: antes não fumava e pode cortar o vício.

Não faz sentido falar em pessoas falsas, malignas, burras, vingativas. Tais negatividades não pertencem a elas, não estão incrustadas na alma, não estão entranhadas no âmago. São qualidades relacionais que se manifestam de acordo com a posição em que elas estão na sociedade, na empresa, na família, entre amigos.

Quem aponta “Ele é chato” revela o tipo de relação que foi “co-construída”, o modo como nasceram um ao outro. Não há chatice em ninguém ali. Portanto, se você reclama que vive cercado de pessoas superficiais, isso não diz nada sobre elas, mas diz muito sobre como você se relaciona.

Do mesmo modo, tudo aquilo que você pensa ser, sua “essência”, são apenas formas de relação que estabeleceu consigo diante do espelho e com as pessoas, objetos, locais, com o mundo em geral. Bastaria cortarem todos os meus vínculos atuais, inclusive com o apartamento onde moro, para eu começar a esmolar ou até mesmo roubar para conseguir comida ¿ eu mudaria 100%. O problema é que esquecemos essa mobilidade e congelamos as pessoas como se elas fossem algo independente do contexto e do nosso olhar construtor.

Se não perdemos de vista essa natureza livre de atributos, aquele problema que parecia vir do outro agora se mostra como uma possibilidade (restrita) de conexão. E então naturalmente damos espaço a outros posicionamentos, olhares, gestos. O outro muda quando mudamos a relação.

Para andar num mundo de pessoas abertas e generosas, começo me abrindo. Oferecer o meu melhor é já ativar o melhor dos outros. Por outro lado, se enxergo manifestações transitórias como essências imutáveis, se não considero um criminoso como um potencial parceiro, isso é sinal de que estreitei minha visão, exatamente como aconteceu com o criminoso.

É inútil imaginar um mundo melhor e discursar sobre transformação social se continuamos congelando as pessoas ao nosso lado.


A blogosfera é um território fértil para tudo que é tipo gente, perfil, personalidade e, por conseguinte, para tudo que é tipo e qualidade de conteúdo (ou a falta) nos teclados – aquilo os antigos chamavam de “pena”.

A blogosfera é de certa forma anarquista –  que me perdoe conceitualmente Bakunin.

Mas há um tipo de blogosfera, porém, que excede o anarquismo, limite de bom senso, da razoabilidade, da moral, da ética e mesmo da sanidade mental.

Há tipos de blogueiros que fazem do seu teclado (antiga ‘pena’) uma arma para a desonra, acinte, vilipêndio, desrespeito moral, enfim, uma completa falta de qualquer empatia com o próximo, algo que se aproxima do conceito daquilo que  os especialistas chamam de : sociopata.

É quando o blogueiro transforma-se numa aberração textual de tal modo que ele encarna um ser caótico, doentio e psicótico, mas acha se acha o “cara”. Ou seja, faz de si, e emprega em si, uma personalidade que só cabe em si!

E ver blogueiros desse naipe sendo patrocinados pelo erário é porque chegamos a barbárie total!

Mas, quem paga é quem manda, né secretário?


“Nostalgia é saudade do que vivi, melancolia é saudade do que não vivi.”
(Carlos Heitor Cony)

Confesso que sou meio nostálgico no jeito de levar a vida.

Em certas datas comemorativas então… nem se fala.

O Dia das Mães é uma data que essa minha nostalgia aflora como mais força e intensidade.

Não apenas porque me faz forçosamente lembrar de momentos maravilhosos que vivi com a minha saudosa Waldeliz, mas também pelo fato de saber o quanto a nossa vida é frágil, efêmera e, quase sempre, desgraçadamente surpreendente.

Ainda muito jovem sempre gostei de coisas antigas. De música, filmes, livros etc., tudo aquilo com mais idade me encanta e fascina – não por acaso sempre tive uma queda pelas balzaquianas!

Estar ‘preso’ ao passado tem suas vantagens e desvantagens, como tudo na vida, diga-se.

Uma das vantagens é que se pode fazer de conta que o mundo parou exatamente naqueles bons instantes de prazer e felicidade. Faz a gente não sentir essa sensação dos dias atuais em que as coisas passam numa velocidade estonteante.

A nostalgia tem ainda a capacidade de nos deixar mais sensíveis à determinadas coisas que a modernidade contemporânea nos tem negado ou não dada a chance de observá-las com mais atenção.

Nessa maratona cotidiana pela sobrevivência, na correria para consumir o que se necessita de fato e que nos empurram pela publicidade mágica, enfim, na pressa de fazermos tudo ao mesmo tempo agora, muitas vezes deixamos de contemplar as coisas que verdadeiramente dão sentido à vida.

Porém, ser nostálgico é uma desvantagem quando a fixação pelo mundo de outrora, ao invés de se tornar um prazer, uma paixão, torna-se uma prisão. E como tudo aquilo que nos domina e aprisiona é temeroso, nada melhor do que curtir a nossa nostalgia com um pé lá atrás, naqueles momentos inesquecíveis, e outro no presente real e concreto.

Ainda que esse presente real e concreto seja de sofrimento, angustia e solidão. O importante é lutar, sempre!

Um Feliz Dia das Mães para todas que tiveram a chance de ser este ser abençoado por Deus.

E bonito por natureza, como diria o poeta…


A exposição de caricaturas Mulheres que Mudaram o Brasil traz personalidades, retratadas a nanquim, que romperam paradigmas nas esferas das artes e ciências

Letícia Gerola, via Vida Simples

As obras de Toni D’Agostinho, artista e sociólogo, descartam o uso da cor justamente para valorizar o contraste entre preto e branco. As imagens retratam trajetórias de vida permeadas por conflitos históricos, uma das paixões do desenhista, que tem a trajetória marcada pela união do olhar sociológico com o fazer artístico. Relações de gênero e outros poderes são evidenciados nos textos biográficos criados pela antropóloga Natalia Negretti, doutoranda em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “Entre as personagens, destaque para artistas da música brasileira como Inezita Barroso, Chiquinha Gonzaga e Elza Soares, além da poeta Cora Coralina, a psiquiatra Nise da Silveira e a médica, pediatra e sanitarista Zilda Arns”, explica.

Mulheres que Mudaram o Brasil – de 10/05 a 31/05 na Estação Sé do Metrô.
Contato: Toni D’Agostinho – facebook.com/mulheresquemudaramobrasil
Tel.: 11 99255-5737
e-mail: tonidagostinho@gmail.com


Macrom provou que o amor pela sua “coroa” só lhes fez bem, ambos completam o outro e vitória para a presidente da França foi mais do que uma vitória política. Foi, sobretudo, uma vitória do amor.

Emmanuel Macron e sua esposa Brigitte Trogneux

Um dos textos mais belos que já li sobre relações de amor foi “O Amor nos tempos do sexo”, escrito em 2005 pela escritora, ensaísta, teatróloga, jornalista, defensora dos direitos das mulheres e política, Heloneida Studart, cuja vida a deixou em dezembro de 2007.

No texto, Heloneida narra com um brilhantismo poético singular a saga amorosa entre o príncipe Charles, herdeiro do trono do reino da Inglaterra, e a sua amanda de meia-idade, Camila Parker.

A seguir um trecho da narrativa enamorada de Heloneida para depois eu entrar no assunto principal deste post. Assim:

“Trinta e quatro anos de amor! Trinta e quatro anos entre dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da Igreja Anglicana, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento dele com Lady Diana foi um dos eventos de maior pompa que o Reino Unido já viu), filhos de outros matrimônios e o amor dos dois lá, brilhando, como uma luz extra-terrena, um sol perpétuo (…) O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elisabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo entre os dois (“Eu queria ser um Tampax” etc.). Não valeu o tempo, não importaram as rugas, as pelancas. O mundo inteiro, convertido aos mitos da beleza e da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana. No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas, com aquele corpo desgracioso. Camila Parker Bowler é uma vitória do amor sobre todos os esteriótipos do nosso tempo”. Ufa!

Trouxe essa maravilha de texto para remeter a mais recente revelação de amor que teria tudo para não dar certo. Falo de Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, ele atual presidente eleito da França; ela, sua ex-professora de Francês e Latim. Até aqui nada de tão extraordinário.

Ocorre que quando Macron conheceu a professora ele tinha apenas 15 anos de idade e era amigo de classe da sua filha. Logo, tudo levava a crer que se houvesse cheiro de amor no ar teria que ser entre ele, Macron, e a jovem rebenta da professora.

Só que, fosse assim, seria apenas mais uma história de amor entre dois jovens que se conheceram, apaixonaram-se, largaram tudo e foram viver o seu amor intensamente.

Mas, não! O jovem Macron derreteu-se e se entregou foi aos braços da professora 24 anos mais velha.

Quando os pais viram que havia algo de “errado”, trataram de mandar o filho para longe da “perdição”. Tipo da coisa que só aumenta o fogo da paixão. “Você não vai se livrar de mim. Eu vou voltar e vou casar contigo”, disse ele, segundo contou Brigitte em entrevista à revista Paris Match. “Nos telefonávamos o tempo todo e, pouco a pouco, ele quebrou minha resistência com uma paciência impressionante”.

Hoje, o futuro comandante de uma das maiores potências econômicas do mundo tem 39 anos e seu primeiro e único amor acabou de completar 64. E daí? Macrom provou que o amor pela sua “coroa” só lhes fez bem, ambos completam o outro e vitória para a presidente da França foi mais do que uma vitória política. Foi, sobretudo uma vitória do amor. De uma linda história de amor, diga-se!

E para concluir, volto à Heloneida Studart em “O Amor nos tempos do sexo” quando ao final do artigo ela fecha com chave de ouro com estas palavras que cabem como uma luva para o amor de Macron e Brigitte:

“Certamente, à noite, quando mais uma vez se despir diante dele, o príncipe vai enxergar, não o
corpo flácido de uma senhora, mas o corpo esbelto, juvenil, perfeito que possuem todas as mulheres, de qualquer idade, quando são amadas.”

Até a próxima!


Todo cuidado é pouco para não cairmos na zona de risco e virarmos sociopatas virtuais, e, por conseguinte, fazer de algo importante e útil, como são as redes sociais, em verdadeiras “rede antissociais”.

A internet revolucionou o cotidiano da humanidade não somente do ponto de vista da comunicação e da forma que recebermos e compartilhamos informações, mas também como nos relacionamos com o próximo, muitos dos quais sequer conhecemos pessoalmente para fazer algum juízo de valor razoável.

Através dela, da internet, as chamadas redes sociais impulsionaram ainda mais algo que já nasceu revolucionário, uma espécie da revolução dentro da revolução.

E o resultado é um mundo cada vez menor, mais próximo e que pode ser ao mesmo tempo mais fraterno ou mais cruel dependo do modo que for usado, pois como tudo na vida, as redes sociais podem trazer tantas facilidades quantas forem possíveis assim como inúmeras dores de cabeça para os chamados internautas.

É quando as redes deixam de ser “sociais” e se transformam aterrorizantemente em “redes antissociais”.

Ao ganharem esse caráter “antissocial”, as redes podem destruir pessoas, empresas, instituições, famílias, enfim, fazer um estragado irreversível à imagens e reputações de qualquer um ou de qualquer coisa.

Em seu livro “Humilhado: como a era da internet mudou o julgamento público” (Editora Best-Seller), o jornalista britânico Jon Ronson trata profundamente sobre esse lado obscuro da internet, revelando histórias de depreciações públicas cometida nos ambientes virtuais.

No Brasil, com a radicalização da política, é possível se ver um pouco, aliás, um pouco não, muito das barbáries e hostilidades que acabam por fazer do Twitter e do Facebook, por exemplo, verdadeiros lixões cibernéticos. Às vezes dá vontade de vomitar de tanto aberração, tanta baixaria, trocas de ofensas e agressões pessoais para tudo que é lado.

Não é por acaso o surgimento do “Cyberbully” ou “Bullying Virtual”, que faz vítimas pelo mundo afora, inclusive em São Luis como aconteceu com o servidor portuário David Barros, 37, que teve montagens agressivas com sua foto, após postá-la em seu perfil de rede social – ele denunciou o caso a polícia!

Nesse sentido, todo cuidado é pouco para não cairmos na zona de risco e virarmos sociopatas virtuais, e, por conseguinte, fazer de algo importante e útil, como são as redes sociais, em verdadeiras “rede antissociais”.


Via Fãs da Psicanálise

A família é nosso primeiro meio social, é onde construímos e nutrimos nossas primeiras relações e também onde iniciamos nosso desenvolvimento do Eu. Os vínculos costumam se desenvolver de forma intensa, por vezes nos tornando cuidadores e defensores de nossa família.

Acontece que muitas vezes esses laços se constituem de forma a não estabelecer limites a essas relações, tornando-as disfuncionais.

“Uma família disfuncional é aquela que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu funcionamento. Relaciona-se sempre da mesma maneira, de forma rígida não permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio no processo de comunicação familiar.” (Revista Boa Saúde)

Em muitos casos um familiar responsabiliza-se por resoluções de problemas e conflitos que não deveriam ser de sua preocupação.

Veja alguns que estão recentes em minha mente.

1. Filho que assumiu a posição de ‘chefe da casa’ após separação conturbada dos pais. Além de cuidar de si e de suas questões ‘adolescentes’, o filho sente-se na obrigação de cuidar da mãe e educar o irmão mais novo;

2. Filho de pais que vivem em meio a separações e ameaças de divórcio. O filho vira mecanismo de reconciliação/separação do casal, sendo peça fundamental para que um ciclo briga-separa-volta se mantenha a todo vapor;

3. Filha mais velha e adulta sente-se responsável por dar suporte a sua mãe (que criou a filha parte da infância sozinha), seja financeira ou emocionalmente. Tornando-se refém dos problemas da mãe, que são normalmente resolvidos pela filha ou não resolvidos para se manter esse tipo de relação;

4. Irmã que sente-se responsável por cuidar dos irmãos e já na fase adulta continua a resolver os conflitos e arcar com despesas financeiras dos irmãos;

5. Mãe que, apesar dos filhos já serem adultos e estarem casados, sente-se responsável por conduzir a vida dos filhos e assumir despesas e responsabilidades deles;

Ao expor os exemplos acima não me refiro a situações isoladas ou casos específicos. Me refiro a ciclos repetitivos que adoecem as relações e sobrepõem responsabilidades individuais, transferindo-as ao outro.

Em casos como os já citados todos têm prejuízos em suas vidas. Uma pessoa sobrecarrega-se, outra não amadurece, mantendo uma relação imatura, sem espaço para desenvolvimento com intuito de melhora.

Para alguns pode ser visto como prova de amor, mas não. Amor baseia-se em troca, respeito mútuo e limites. Estipular limites sim é uma prova de amor, amor ao outro e a si mesmo.

Normalmente quem se encontra neste tipo de situação enfrenta dificuldade em romper com o ciclo vicioso que retroalimenta, no entanto, é extremamente necessário que o indivíduo entenda o papel que vêm exercendo e o que o motiva a manter-se nessa posição (normalmente há algum ganho ou enrijecimento por um ganho do passado).

A consciência do funcionamento familiar já é de grande valia já que muitas pessoas vivenciam essas situações sem nem ao menos perceber que algo está disfuncional, mesmo em casos em que haja sofrimento manifesto.

Em alguns casos uma conversa com alguém fora da família, como um amigo, poderá alertar e alterar o status da família. Outras vezes o processo terapêutico se faz necessário.

O processo terapêutico individual por si só já provocará desdobramentos no lidar deste individuo com seus familiares.

Agora se o processo terapêutico for familiar, ou seja, todos os membros da família participarem, o processo poderá ser muito mais rápido, pois os conflitos referentes ao envolvimento e mecanismo familiar serão resolvidos por todos juntos, além de propiciar que todos entendam seu papel no funcionamento da família, possibilitando, assim, a escolha de permanecer retroalimentando os laços disfuncionais ou reescrevendo novas formas de organização e arranjo familiar.


Conforto material pleno não é sinônimo de qualidade de vida

Antonio Carlos Amado, via Vya Estelar

Antigamente os interesses de todos eram dirigidos prioritariamente para conseguir alcançar o conforto e o progresso material. Melhorar na vida praticamente significava progresso. Porém, nas últimas décadas cada vez mais pessoas começaram a dar-se conta que muitos sacrifícios não tinham sentido, uma vez que viam deteriorar-se sua qualidade de vida.

De um ponto de vista psicológico, a qualidade de vida é o grau com que uma pessoa obtém satisfação na vida. Para uma boa qualidade de vida são importantes o bem-estar emocional, material e físico; o envolvimento em relações interpessoais; as oportunidades para o desenvolvimento pessoal; o exercício de seus direitos e a capacidade de fazer escolhas de vida e participar na sociedade.

A qualidade de vida inclui também muitos fatores interdependentes: o conforto, as disponibilidades materiais, o tempo de trabalho, de lazer, o tempo para dedicar a nossos familiares, filhos, amigos, o desfrute da natureza, da cultura, da assistência sanitária etc.

Muitas pessoas geram recursos econômicos importantes, mas carecem de tempo para desfrutar dos benefícios que lhes poderia propiciar a boa utilização de tais recursos. Elas passam a vida acumulando bens materiais ou cargos de poder, mas não tem tempo para si mesmas, nem para interagir ou se dedicar a outras pessoas ou ainda para realizar atividades verdadeiramente satisfatórias. Dizemos então que essas pessoas têm uma qualidade de vida escassa, apesar de terem condições de viver em conforto material pleno.

Portanto, a qualidade de vida constitui um ponto de equilíbrio entre o tempo e o esforço que dedicamos a uma atividade e os benefícios que vamos poder obter mediante o exercício da mesma. Qualquer excesso no que se refere a algum dos fatores citados anteriormente leva a um desequilíbrio que deteriorará antes ou depois nossa qualidade de vida por falta de meios econômicos, excesso de trabalho, estresse, falta ou excesso de tempo livre, falta de contato com a natureza, perda excessiva de tempo causada pelo transporte etc. Conseguir uma qualidade adequada de vida implica uma certa capacidade para organizar-nos, valorizando friamente o que realmente desejamos; o que nos é de fato imprescindível e descartando as coisas que realmente não necessitamos para nada.

Como consequência do que dissemos está também o equilíbrio que estabelecemos entre cuidar de nós mesmos e cuidar dos outros. O altruísmo e o comportamento não egoísta de nossa parte redundam em nosso próprio benefício, recompensando-nos de maneiras que não ficam necessariamente evidentes de imediato. Quando aumentamos nossa ligação com o ambiente em que vivemos, nossa sensação de que pertencemos a algum lugar passa a ser mais forte, evitando o isolamento e a solidão.


Autora de um livro sobre o suicídio sob o ponto de vista de quem fica, a jornalista explica que a pessoa apresenta uma série de sinais antes de se matar

Paula Fontenelle, jornalista, psicanalista e escritora. HENRIQUE PONTUAL

Em janeiro de 2005, o pai da jornalista Paula Fontenelle se suicidou. Contando hoje, ela consegue identificar uma série de sinais dados por ele antes de acabar com a própria vida e que, na época, ninguém percebeu. “Meses antes, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo”, diz, ilustrando um dos sinais clássicos de quem decide se matar: O planejamento financeiro dos que ficarão, que são chamados pelos médicos de sobreviventes. Depois que tudo aconteceu, ela decidiu mergulhar no assunto. Da dor, Paula publicou, em 2008, o livro Suicídio, o futuro interrompido – Guia para sobreviventes (Geração Editorial), indicado ao prêmio Jabuti em 2009.

Paula é hoje, além de jornalista, psicanalista, escritora e autora do blog Prevenção Suicídio. O nome do blog é a aposta da autora para a redução do número de pessoas que se matam e que hoje cresce como uma bola de neve em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos. Na prática, os conselhos de Paula para a prevenção do suicídio giram em torno de perguntar e ouvir. “Tem duas perguntas que você deve fazer a uma pessoa que pensa em se suicidar”, diz. “Onde dói, e como eu posso ajudar?”.

Pergunta. O luto de quem perde alguém por suicídio é diferente daquele que perde alguém por doença ou acidente?

Resposta. Eu acho que tem um ponto que é muito diferente e muito nocivo. Quando alguém morre por qualquer outro tipo de morte, as pessoas se interessam, perguntam. Se, por exemplo, foi um acidente, perguntam como foi, como a pessoa está. Querem saber sobre todo o processo da morte. No caso do suicídio, não. No momento em que você diz que a pessoa se suicidou, quem está ouvindo muda de assunto. Você se sente muito só. O tabu é muito grande. Muita gente esconde. Eu conversei com pessoas que pediram ao legista para alterar o atestado de óbito para, por exemplo, “acidente com arma de fogo”, porque não queria o estigma. Então além de você estar triste e passando por um luto normal, você passa pelo luto da incompreensão das pessoas e do tabu, porque ou a pessoa não quer falar ou pior, ela tem preconceito. Sem falar dos que se sentem culpados naturalmente.

P. Existe um sentimento de revolta com a pessoa que se matou?

R. Sim, a revolta é uma das fases. A primeira é o choque, mas isso é comum em qualquer morte. A segunda, é a raiva. Eu entrevistei uma mulher uma vez que fazia 20 anos que o marido tinha morrido e ela ainda tinha raiva. Tem gente que não sai dessas fases. A raiva é muito comum, porque é como se a gente se perguntasse “como essa pessoa pôde fazer isso comigo?”. A gente internaliza a morte do outro. No caso dessa mulher, por exemplo, é compreensível, porque a filha tinha uns sete anos e encontrou o pai morto. E ficou super perturbada. Então essa mulher dizia “eu nunca vou perdoar que ele tenha feito isso com as minhas filhas”.

P. E quais são as outras fases?

R. A culpa, que é quase inevitável. Tem um outro sentimento muito forte, e aí eu acho que é exclusivo de quem perde para o suicídio, que é o medo da hereditariedade. A gente começa a pensar “será que eu vou fazer a mesma coisa?”. O suicídio não é hereditário. O que pode ser hereditário, obviamente, é o transtorno mental. Mas o transtorno mental tem cura, tem tratamento. A minha irmã, logo depois que meu pai morreu, começou a tomar antidepressivo, mas ela já tinha depressão há muito tempo. E nela, foi acionado o gatilho oposto. Ela disse “eu não vou terminar como ele”.

P. O que aconteceu depois que o seu pai se suicidou?

R. Eu queria entender. Como acontece com qualquer um, você fica cheio de perguntas. Por que ele fez isso? O que leva uma pessoa a isso? Como eu não identifiquei? Será que ele disse para mim de alguma maneira e eu não consegui entender? Na época que comecei a pesquisar mais, este assunto não existia no Brasil. Comprei vários livros fora [do país], em inglês, e aí resolvi escrever o livro, porque tantas pessoas passam por isso no Brasil e precisam entender, precisam de informação e não têm. Do mesmo jeito que eu não tive. Por isso eu decidi escrever.

P. Nos seu livro, você fala em sinais que a pessoa dá antes de se suicidar e que podem ser perceptíveis. Quais são esses sinais?

R. Tem vários, e que são bem parecidos com os sintomas de depressão: Recolhimento, mudança de hábito – as pessoas começam a não se cuidar muito -, tristeza, isolamento. Muitas coisas se parecem, até porque a depressão é o transtorno mais associado ao suicídio. Os números mundiais mostram que mais de 90% dos suicídios são associados a algum transtorno mental. Um sinal bem importante é você deixar de sentir prazer em coisas que te davam prazer anteriormente. E existem alguns sinais que são específicos de quem está pensando em suicídio, já avançou na ideia e já está planejando.

P. Quais são?

R. Organização financeira. As pessoas se organizam, principalmente para a família não ter problema. Meu pai fez isso. Alguns meses antes dele se matar, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo. Ele fez isso porque sabia que eu poderia resolver qualquer coisa

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