FRASE DO DIA

Estou aqui para mostrar que nós vamos continuar de cabeça erguida, de mãos limpas, esse foi o jeito que eu escolhi de fazer política, e ninguém, nenhum vagabundo tipo o Alexandrino, vai inventar mentira sobre a minha vida pública.

(Deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) sobre o delator da Odebrecht Alexandrino Alencar)

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Não temos o hábito e tampouco somos incentivados a conversar ou refletir sobre nossos fracassos e pequenos lutos ao longo da vida. Mas isso é essencial para encararmos nossas perdas e, dessa forma, seguirmos em frente mais maduros, sábios e fortes

Crédito: Vida Simples Digital

Ana Claudia Quintana Arante, via Vida Simples

No país da alegria, do futebol, do Carnaval e do “jeitinho” parece que não se tem a menor noção de que nem sempre a gente ganha. Apesar de quase sempre percebermos que o sofrimento vindo das nossas perdas acaba sendo o mais intenso e difícil de superar, poucas pessoas se importam, de verdade, em aprender com isso. Encontramos centenas de livros, programas de treinamento, cursos de reprogramação de linguagem, de modo de ação, de existência que só pregam ganhos ou resultados positivos. Indo na contramão disso, a vida mostra que os maiores aprendizados não estão disponíveis em cursos preparatórios de vitórias, e sim no dia a dia da experiência da perda, nos ensinamentos que vêm à tona a partir dos fracassos. Tudo isso quando nos permitimos parar e olhar para o que aconteceu. Geralmente, as pessoas não se abrem para refletir sobre um tropeço, uma queda, um fracasso, enfim.

Elas perdem um tempo precioso, que poderia ser dedicado a pensar sobre aquilo que ocorreu, ficando somente nas lamentações e nas percepções de vítimas dos eventos – e quase nunca como protagonistas da própria vida. Experimentar uma perda será muito mais fonte de sofrimento se não formos capazes de viver de maneira integral o que nos é oferecido.

Se em um relacionamento não tivermos a experiência da entrega de maneira integral, no instante em que ele termina a dor do que não foi vivido pode ser absurda. Num mundo como o nosso, a entrega para a experiência de vida acaba sendo evitada, por uma desculpa de autoproteção. Se não damos o nosso melhor, não há como perceber o quanto o outro se transformou a partir do encontro conosco. E, se não aceitamos o que o outro nos ofereceu, jamais vamos nos dar conta do quanto ele nos transformou também. A ficha cai bem na hora em que não há mais tempo para quase nada, ou, pior, no momento em que a relação morreu, acabou, deu seu último suspiro.

A grande dificuldade que temos em um relacionamento, por exemplo, é que nenhuma das partes envolvidas fala ou mesmo analisa sobre a possibilidade do fim antes que ele chegue de maneira definitiva. Queremos acreditar que tudo é para sempre, que de algum jeito as coisas vão dar certo. Mas, de verdade, nada é para sempre. A dificuldade que temos em encarar que as relações mudam, que as pessoas mudam, e que inclusive nós mudamos é um dos maiores desafios das relações humanas. Aliás, quando falamos sobre a vida profissional, o mundo das perdas também não é muito diferente. Desde jovens somos obrigados a pensar que só há um caminho de sucesso e de felicidade para nós. E isso, em geral, significa ter uma carreira de muita ascensão, um ótimo salário, uma conta bancária polpuda, uma família no melhor estilo “margarina” (pai, mãe, filhos, com todos sentados numa mesa felizes e animados) e uma saúde eterna.

Mas, quando a realidade bate na nossa porta, percebemos que as carreiras de sucesso e a fartura de dinheiro são condições raríssimas e muitas vezes cercadas ou preenchidas de profundas decepções e muito sacrifício. A família perfeita não existe e, por causa de conflitos com os quais não aprendemos a lidar, as perdas vão se sucedendo e causando muito sofrimento. No entanto, quando a saúde se esvai – esta, sim, muito pouco valorizada perto das outras dimensões do ser humano – é que contemplamos pela primeira vez a possibilidade de nossa real finitude. E é por causa dessa perda que conseguimos olhar para o que realmente importa nesta existência: só deveríamos levar em conta aquilo que não se conta. Não se fala sobre “como perder” nas rodas de conversa, nos grupos de WhatsApp, no almoço de domingo com a família ou na happy hour com os amigos. Existe curso para tudo, preparo para quase tudo, até para o que pode não acontecer.

Por que, então, não somos preparados para perder, fracassar, cair? Há que se entender que não há fracasso diante das perdas ao longo da nossa trajetória. É preciso ter respeito pela grandeza do ser humano que enfrenta seu caminho e o reconhece como fonte de evolução e amadurecimento. O verdadeiro herói não é aquele que foge frente à possibilidade da derrota, mas aquele que a reconhece como sua maior sabedoria. Sempre comento que o que fica é a última impressão. Você se casa com a pessoa mais incrível do mundo, passam anos juntos caminhando lado a lado, mas daí os desencontros acontecem e a relação termina. Qual a lembrança que, em geral, fica? A dos momentos finais, as brigas, discussões, acusações. E você só consegue manter na memória tudo o que ela lhe fez de mal e sente uma dificuldade enorme ou até uma incapacidade de valorizar o que foi vivido de bom. E que histórias de últimos dias contarão a nosso respeito ao final de uma relação, ou na saída de um emprego? Como nos comprometemos a valorizar o que aprendemos com experiências importantes que vivemos e que tiveram fim? O sofrimento pelas perdas intangíveis também é um tipo de luto.

O processo de restauração da nossa autoestima e de reconhecimento daquilo que temos de melhor leva tempo e trabalho de reflexão. Só quando a gratidão permeia nossos pensamentos ao redor do evento perdido é que o sofrimento do luto vai embora – e isso pode demandar tempo. E é difícil lidar com a possibilidade de aceitar esse fato quando ainda estamos muito machucados por isso. Mas com paciência e amorosidade teremos chance de nos libertar desses pesos e seguir caminhando com leveza pela vida.

A questão é que o tempo do luto por qualquer que seja a nossa perda (um ciclo de trabalho que chega ao fim, o término de uma relação, uma falência, o rompimento de uma amizade) compromete a qualidade do tempo que vivemos. Isso porque, em geral, a vida segue e parece não haver espaço para pausa e para processarmos o que ocorreu. O que fazer então se a vida pede pressa e a alma pede calma? Penso que deveríamos, primeiro, evitar culpar os outros e, a partir disso, viver o que temos de melhor a cada momento, nos entregando a cada relação. A perda é inerente à vida e faz parte dela.

Ao entender que isso é inevitável, podemos tentar ficar mais apaziguados para não temê-la – ou evitá-la quando acontecer. Acredite, nosso tempo de vida um dia acaba – isso é realmente inevitável –, mas a forma como escolhemos estar aqui pode trazer experiências de imortalidade. Para sermos vitoriosos na nossa jornada é necessário aprender a não ganhar sempre. Perder nosso apego pela tristeza do fracasso é um bom caminho de vitória. Assim, é importante sabermos que, apesar de difícil, podemos escolher como vamos encarar as perdas da vida. Se vamos fazer isso como um sofrimento eterno ou como gratidão.

A série Dilemas é uma parceria entre a revista vida simples e a The School of Life e traz artigos assinados por professores da chamada “Escola da Vida”. A série tem como objetivo nos ajudar a entender nossos medos mais frequentes, angústias cotidianas e dificuldades para lidar com os percalços da vida.

A The School of Life explora questões fundamentais da vida em torno de temas como trabalho, amor, sociedade, família, cultura e autoconhecimento. Foi fundada em Londres, em 2008, e chegou por aqui em 2013. Atualmente, há aulas regulares em São Paulo e no Rio. Para saber mais: theschooloflife.com/saopaulo

Ana Claudia Quintana Arantes é médica geriatra, especializada em cuidados paliativos. É professora da The School of Life, em São Paulo, onde ministra, entre outras, a aula Como Lidar com a Morte. Ana Claudia acaba de lançar o livro A Morte É um Dia Que Vale a Pena Viver (Leya).


Fragilizados e reféns da única candidatura competitiva ao governo, que é a ex-governador Roseana Sarney (PMDB), os sarneysistas batem cabeça sem saber como sair do “imprensado” em que estão metidos.

Editorial da coluna O Estado do Maranhão, edição desta terça-feira, 28, é reveladora no que diz respeito à atual conjuntura política estadual.

Intitulada “Morde e assopra”, o conteúdo do texto é uma estranha mistura de ciúme, despeito e deselegância do grupo Sarney em relação ao senador Roberto Rocha. Senão vejamos.

Ciúme

A coluna remete a algumas das críticas que senador tem feito ao governo e ao governador Flávio Dino, e depois questiona o desafio público feito por Roberto Rocha ao comunista, para uma unidade em torno do Maranhão.

Para o JEMA, corruptela criada pelo amigo Joaquim Haickel para o jornal O Estado do Maranhão, o senador agiu ao errado ao fazer o desafio republicando.

“O senador Roberto Rocha (PSB) vive uma espécie de jogo de gato e rato com o governador Flávio Dino (PCdoB), embora, no atual momento, morda mais do que assopre. A semana passada, por exemplo, Rocha passou toda ela numa espécie de provocação a Dino ­ às vezes aberta, às vezes velada. Até que, no fim de semana, saiu­-se com uma de unidade em prol do Maranhão. O que parece é que o senador espera do governador um chamamento para que ele se junte ao projeto “pela mudança no Maranhão”, diz trecho do editorial.

Parece ou não um caso de ciúme pueril?

Despeito

Em outra parte do texto, a coluna Estado Maior sai com algo que se aproxima muito do sentimento despeito em relação ao senador Roberto Rocha, possivelmente explicado pelo sucesso dos dois últimos eventos em que o socialista foi protagonista e ambos com muita repercussão na classe política e na sociedade.

Um foi o evento da Codevasf, realizado na Assembleia Legislativa do Maranhão, realizado no dia 13 de março; e outro mais recentemente que foi o seminário “Rios Maranhenses e suas Nascentes”, que, aliás, contou com apoio e prestígio do ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, coincidentemente um dos donos do JEMA.

Está escrito na referida coluna: “(…) “O que dá a entender é que, a qualquer momento, agraciado com espaços de poder claramente definidos e projeto eleitoral também assegurado ­ não apenas para 2018, mas nos próximos pleitos a partir dali ­, Rocha passará de adversário político a amigo de infância de Dino num piscar de olhos”.

Parece ou não um caso de despeito bobo?

Deselegância

Por fim, um flagrante gesto de deselegância da coluna Estado Maior. O que não deixa de ser lamentável, tendo em vista a qualidade dos profissionais de comunicação que, a quatro mãos, ajudam a fazer o dia a dia do mais tradicional e dos mais importantes matutino do Maranhão.

No final do texto, a coluna perde um pouco da compostura e do equilíbrio exigidos para uma avaliação jornalística ponderada para sugerir que Roberto Rocha estaria apenas aguardando um “chamamento comunista” porque, na visão política míope do JEMA, o senador não consegue construir alianças sólidas para o seu projeto ao governo em 2018.

“Faltando pouco mais de um ano e meio para as eleições, e menos de um ano para o início efetivo da campanha, o senador não consegue construir alianças sólidas ­ ou não quer ­ porque dá sempre a entender que aguarda um chamamento comunista. E há muito o que negociar em um projeto de poder. Talvez por isso o morde-assopra do senador em relação ao ‘adversário'”, provou a coluna Estado Maior.

Parece ou não um gesto gratuito de deselegância?

Conclusão

Em geral, o que se pode concluir desse editorial do JEMA, através da coluna Estado Maior, é que os movimentos do senador Roberto Rocha estão incomodando não apenas os comunistas quanto os sarneysistas , pois ambas as forças políticas enxergam o socialista como adversário certo no pleito de 2018.

Fragilizados e reféns da única candidatura competitiva ao governo que é a ex-governador Roseana Sarney (PMDB), os sarneysistas batem cabeça sem saber como sair do “imprensado” em que estão metidos atualmente.

Já Roberto Rocha segue corretamente na luta para construir e consolidar um terceiro polo político que aponte para o futuro e tire o Maranhão da imagem em preto e branco que só interessa ao passado e ao presente, faces da mesma moeda do atraso.


O talentoso jornalista Nonato Reis é o mais novo colaborador do Blog do Robert Lobato.

Ao lado dos amigos Eden Júnior, Abdon Marinho e Flávio Braga, Nonato Reis também bridará os nossos leitores com as suas crônica inteligentes, intrigantes e, por que não, também picantes.

Nonato Reis escrevia para o Jornal Pequeno, mas os editores do matutino da Afonso Pena passaram a achar que o articulista estava muito “assanhado” e escrevendo muitas “sem-vergonhices”.

Bom, aqui no Blog do Robert Lobato o que vale é o talento da “pena” do colaborador. O leitor conservador cabe recusar-se a ler os textos dos autores, mas jamais deixará de publicar um artigo por razões de amarras da tal tradição judaico-cristã.

Nesse sentido, a partir de hoje o Blog do Robert Lobato contará com a colaboração deste grande cidadão do bem que é Nonato Reis, com artigos semanais, sempre aos domingos, com exceção deste que extraordinariamente será publicado nesta segunda-feira.

Fiquem com “A pintinha de sangue na calcinha”, por Nonato Reis:

Tem professora que a gente não esquece mesmo. Passam-se os anos e ela continua ali, dona de uma parte preciosa da nossa memória. Eu tinha dez anos, era um menino sob todos os aspectos, com o acréscimo de pertencer a uma comunidade rural, viver em meio à natureza, longe das novidades e da vida corrida dos centros urbanos. Já tivera algumas professoras, porém todas adeptas da velha palmatória como símbolo de rudeza e disciplina.

Quando cheguei no colégio Zilda Dias Guimarães, o famoso ZDG, cujas letras iniciais apareciam em alto relevo na cor azul marinho, estampadas na manga da camiseta branca, tudo era novidade. A começar pela própria aparência física da escola. Ao contrário de casebres de palha ou salões de fazenda do meio agreste, o ZDG era um prédio enorme, novinho em folha.

A construção formava um retângulo. Dentro havia uma quadra de esportes, devidamente sinalizada, com traves e tudo, e contornando a quadra um corredor dava acesso às salas de aula, num total de oito. Também havia salas de diretoria, secretaria, cantina e banheiros – um para cada sexo. Ali, na quadra, com a presença do governador da época, comemorou-se o sesquicentenário da Independência.

Gelei quando vi Lene adentrar a sala do quarto ano primário, vestida naquele seu sorriso acolhedor, fala mansa, educada, parecendo uma princesa. Ela deu três passos até a mesa, ali depositou alguns livros e a sua bolsa tiracolo, depois deu “bom dia!”. Era o primeiro dia de aula, e quis conhecer cada um dos seus novos alunos. “Você, como se chama?” “E você…” Chegou a minha vez e com voz trêmula respondi: “Raimundo Nonato Reis Mendonça”. “Ah, que nome bonito! Mas de agora em diante você será apenas Raimundo, pode ser?”

Eu odiada o meu prenome e o via como uma espécie de castigo contra a minha mãe, que antes de casar, prometera jamais dar o nome de Raimundo ou Raimunda para seus filhos. Queimou a língua duas vezes. A primogênita chama-se Raimunda de Fátima; e eu, terceiro filho, tive que carregar o resto da maldição. Porém, na voz de Lene meu nome ganhava uma sonoridade especial, como se apenas eu existisse no mundo.

Lene era uma professora diferente das demais que houvera tido. Novinha, parecia uma aluna mais velha, pele morena clara, olhos castanhos dourados, altura mediana, e aquela voz de veludo que me chegava aos ouvidos feito música. Eu queria ser grande aos olhos dela, alguém destacado, que ela visse como especial, e não um qualquer.Para isso eu só tinha um caminho: dedicar-me aos livros à exaustão, ser o melhor da turma em toda e qualquer disciplina.

Varava noites, os olhos grudados nos livros, o cheiro forte do querosene entrando pelas narinas, os olhos cansados de sono, e a minha mãe a brigar. “Menino, vem dormir. Desse jeito amanhã tu vás dormir na escola. Onde já se viu passar a noite em claro!”. No dia seguinte eu estava mais morto do que vivo, mas a cada elogio dela eu tomava uma injeção de ânimo. “Raimundo, nota 10! Parabéns!”. Os dez foram se multiplicando na caderneta e eu não admitia mais um nove sequer. Se tirava 9,9, eu fechava o tempo, perdia até a vontade de viver.“Raimundo, o que é isso? Sua nota é linda! Devia estar feliz, foi a maior de todas”, dizia ela tentando me confortar.

Os fins de semana, antes aguardados com tanta ansiedade para as peladas e banho de rio, passaram a ser um martírio. Sofria a dor da ausência dela no fundo da alma. Na sexta-feira à tarde, logo ao chegar em casa, eu já me sentia sem uma parte de mim. Era uma tristeza que doía fundo. Na comia, não bebia, não sentia vontade de fazer nada. Meus pais achavam que eu sofria de alguma doença. “Meu filho está perdendo peso, alguma coisa aconteceu com ele”. Para aumentar o meu drama, a voz de Agnaldo Timóteo chegava-me aos ouvidos a toda hora na música “O Relógio da Praça” (Meu amor está tão longe/E até já me esqueceu/O relógio lá da praça/Não se cansa de marcar).

Um dia cheguei na turma e encontrei um ambiente hostil. Havia muito falatório, os alunos cochichavam entre si, Lene não se encontrava na sala. Quis saber o que houvera. Ademar, que dividia a carteira comigo, falou-me baixinho. “Cara, foi o maior rolo! O Zequinha e o Júlio se deitaram no chão para ver a calcinha da professora”. Aquilo me ferveu o sangue. “Por que eles tentaram fazer essa loucura?” “A professora estava sentava com as pernas abertas, dava para ver a calcinha dela, que era branca, e uma pintinha de sangue ali rente ao triângulo”.

Meus olhos faiscaram. A minha vontade foi acertar logo as contas com os responsáveis por tamanho desaforo. Ademar me explicou que, denunciado pelas garotas do fundo da sala, os dois foram levados à presença da diretora e ela os suspendeu por sete dias. Eu passei dias estranho. Sentia uma raiva louca dentro de mim. Aquilo era o mesmo que blasfemar uma divindade. Eu tinha Lene como uma santa e não admitia um gesto sequer que a reduzisse à condição de mortal. A lembrança da pinta de sangue me dava arrepio, porque remetia à ideia de menstruação. Não podia ser. Com Lene não.

Ela percebeu a minha mudança. Recusara o lugar ao seu lado, que me destinara tão logo me tornei o primeiro da classe. Não falava mais com ela, não a acompanhava até a sua casa ao final das aulas, como fazia todos os dias. Sequer respondia as questões que ela me dirigia em sala de aula. “Raimundo, em que região do Brasil fica o Arroio Chuí?” “Eu nao sei”. “Como não, você sabe tudo!”. “Desaprendi”.

Até que um dia, depois da aula, chamou-me até a cantina e quis saber o que se passava comigo. “Raimundo, essa sua indiferença está me deixando mal. Parece que eu deixei de existir para ti. Pode me dizer o que aconteceu?” Eu não me fiz de rogado e puxei o assunto que me afogava a alma.

Ela ouviu em silêncio e depois falou naquela sua voz sonora. “Eu compreendo a sua revolta. Também fiquei muito mal com aquilo. Mas são coisas de criança. Eles nem sabiam ao certo o que estava fazendo”. “Mas você sabia!”, retruquei. “Eu sabia? Como pode dizer isso?” Por que ficou naquela posição, com as pernas afastadas? “Meu Deus, eu estava relaxada, passando um ditado, foi um momento de distração”.

Fiz questão de deixar claro a minha contrariedade. “Eu não gostei. Não admito que ninguém fale mal de você, nem que se aproxime com segundas intenções”. Ela então abriu aquele sorriso que me desarmava, acolheu-me num abraço forte e depois falou: “Raimundo, você é um menino lindo e está se deixando levar por ciúmes. Sei que um pouco mais adiante nem vai se lembrar de mim, mas quero que saiba o quanto gosto de você”. E então, me olhando nos olhos, brincou: “Você quer namorar comigo?”


E quem é ela? Como podemos reconhecê-la ou saber se realmente a encontramos? Saber o que há por trás dessa busca vai ajudá-lo na construção de um relacionamento mais equilibrado

Se você acha que essa conversa de par perfeito é apenas nome de site de relacionamento, está enganado |

Liane Alves, via Simples Digital

Você cultiva valores e princípios éticos, está relativamente feliz no trabalho e com você mesmo. Então, quer me explicar por que sua vida amorosa nos últimos anos tem sido um desastre? Ou, então, por que, depois de tanto tempo, tudo parece se encaixar milagrosamente na relação atual? Ou, ainda, por que o que antes era bom agora está ficando ruim ou, então, por que o que antes era ruim agora está ficando bom? Dá para responder, medir ou avaliar e, dessa maneira, chegar a uma conclusão que possa servir de orientação para outras pessoas? Existe uma razão, ou várias, para que isso ocorra?

Antes de tentar responder essas perguntas, fica aqui uma sugestão: leia com atenção o que dizem alguns terapeutas a respeito da relação a dois. Eles têm algo muito importante a dizer que talvez você não tenha considerado antes. Com base nesse novo conhecimento, é possível que seu olhar para sua vida amorosa, e as dificuldades que você tem com ela, mude completamente. Experimente ir até o fim, e depois me diga.

Existe o par perfeito?

Se você acha que essa conversa de par perfeito é apenas nome de site de relacionamento, está enganado. Muitos psicólogos sérios apostam nessa equação (bem, há psicólogos sérios que também a renegam, mas isso a gente vai ver depois). Basicamente o que esses experts dizem é que há pares que têm, sim, muito mais predisposição para darem certo. Para afirmar isso sem margem de dúvida, eles se fundamentam em pesquisas feitas durante anos com um número expressivo de pessoas, como a antropóloga americana Helen Fisher, que reuniu 40 mil voluntários para fazer seus estudos. Outros carregam especializações de reconhecimento inegável, como licenciaturas em Harvard, como a psicóloga americana Linda Blair.

Os estudos desses profissionais partem de critérios às vezes estranhos ou inesperados. Por exemplo, a especialista Linda Blair afirma que a ordem de nascimento na família (isto é, o fato de ser o filho ou filha mais velho, do meio ou caçula) influi drasticamente numa relação a dois.

Isso mesmo. Para ela, algo que pode passar batido durante uma vida inteira pode ser fator de importância crucial numa parceria amorosa… Mas olhando com cuidado sua proposta, antropologicamente, pelo menos, ela não parece ser descabida. Segundo a pesquisadora, filhos mais velhos tendem a ser mais responsáveis porque neles são depositadas muitas das esperanças da família (que eles procuram corresponder, inclusive). E justamente porque é depositada muita confiança neles, esses homens e mulheres terão a tendência de se tornarem mais confiantes, bem-sucedidos e assertivos, embora sempre carreguem uma incrível necessidade de aprovação. Por outro lado, os irmãos que nascerão a seguir poderão se tornar mais competitivos e, talvez, mais individualistas e independentes. Agora, coloque dois filhos mais velhos juntos numa relação amorosa… Eles poderão começar a competir entre si pelo que deve ou não ser feito em primeiro lugar (escala de prioridades) ou como as coisas devem ser conduzidas (modos de gerenciamento). Essa condição pode ser agravada pelo temperamento de cada um. Se os dois forem impulsivos e agressivos, por exemplo, é plausível esperar por muitos conflitos. Porém, a união pode se tornar proveitosa e rica se ambos tiverem um espírito mais conciliador e forem capazes de aprender um com o outro.

Ainda de acordo com esse estudo, as pressões da família já serão bem menores com relação ao filho (ou filhos) do meio, que tendem a ser mais relaxados, não convencionais e socialmente simpáticos (embora eles tenham a necessidade de chamar a atenção), e são quase nulas com relação ao caçula, que tende a ser mais poupado, mimado e dependente (um pouco como o filho único). Coloque agora dois caçulas juntos como marido e mulher, e será possível assistir a um eterno jogo de empurra-empurra de responsabilidades. Portanto, de acordo com as conclusões de Blair, filhos mais velhos tendem a se dar melhor com caçulas (e vice-versa), pois são complementares nos seus anseios, e filhos do meio terão melhores chances de se dar bem com todos, porque têm mais abertura e flexibilidade, pois deles não se esperam papéis muito definidos (isso para resumir bem a história, quem quiser se aprofundar nesse assunto pode ler o livro Birth Order: What Your Position In The Familly Really Tells About Your Character (ainda sem edição em português).

A antropóloga americana Helen Fisher também tem lá sua teoria sobre os melhores encaixes entre as diversas parcerias. No livro Why Him? Why Her? (Por que ele? Por que ela?, também sem edição no Brasil), ela define o que seriam os quatro perfis básicos comportamentais dos seres humanos: exploradores (gente criativa, não conformista, otimista e corajosa), construtores (mais conservadores, confiáveis e rígidos), dirigentes (ambiciosos, persistentes, dinâmicos e estrategistas) e negociadores (éticos, flexíveis, afetuosos e generosos). Fisher afirma que esses tipos geralmente não são puros e que são constituídos aos pares: uma pessoa pode ser exploradora/negociadora, outra construtora/dirigente, e assim por diante.

Conclusão fácil de adivinhar: a relação é mais fácil entre pares semelhantes. Mas relacionamentos mutuamente mais ricos e interessantes podem ser alicerçados em opostos complementares. Num relacionamento a longo prazo, por exemplo, uma negociadora/exploradora pode precisar da persistência e da firmeza de um negociador/construtor, assim como ele pode se beneficiar da ousadia, flexibilidade e criatividade de sua parceira. Além disso, segundo Helen Fisher, a troca pode ser facilitada porque eles têm uma base comum – são ambos negociadores.

Também há os terapeutas, como os antroposóficos, que se baseiam nos temperamentos definidos por Hipócrates, na Grécia Clássica (sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático) e outros pelos seus equivalentes indianos (pitta, vata e kapha), estabelecidos pela medicina ayurvédica. Esses temperamentos, chamados de gunas, ou energias de base, também estão presentes, de certa forma, na astrologia ocidental. Eles são definidos pelos quatro elementos que dividem os 12 signos astrológicos em grupos de três (terra, fogo, ar e água). Como sempre, para os astrólogos, os pares que pertencem ao mesmo elemento têm chances maiores de formar um casal equilibrado. Portanto, há todo o tipo de combinações possíveis que podem orientar quem vai se dar melhor (ou pior) com quem. Mas a questão é: as afinidades vão mesmo definir um bom relacionamento? Ou vão torná-lo mais morno e previsível? E a pergunta que não quer calar: será que a alma gêmea existe? (por favor, não descarte essa possibilidade antes de chegar ao final do texto).

Antes do amor chegar

Idealizações excessivas podem fazer mal para quem ainda não encontrou seu par. O preciosismo dessas resistências pré-concebidas chega a ser engraçado, e até mesmo bizarro: ah, ele não é legal porque usa meia branca; ah, ela não serve porque gosta de drops de eucalipto… O ideal é não se apoiar demais numa lista de qualidades ou defeitos. Nesse terreno das preferências, muita coisa pode ser ultrapassada quando existe amor e química sexual recíprocos.

O mais comum nessa história é que o outro esteja distante de nossas expectativas – e esse golpe tem de ser assimilado. “Gosto muito de lembrar o poeta Mário Quintana, que dizia que para ser feliz com uma pessoa, você, em primeiro lugar, precisa não precisar dela. Não há necessidade do outro cobrir toda nossa lista de carências ou exigências”, diz a psicanalista e psicoterapeuta paulista Irene Cardotti. “Acho mais importante a pessoa perguntar para si mesma: o que tenho a oferecer para o meu parceiro? E aplicar a energia em se conhecer, cuidar e sobretudo gostar mais de si, sem pensar exclusivamente em exigir ou em agradar alguém”, diz ela. “Além de começar a apreciar quem você é, também é aconselhável aprender a gostar de quem gosta de você. Muitos relacionamentos patológicos podem começar com uma pessoa querendo manipular a outra para forçá-la a amar.

Isso não é bom, nem para o manipulador, nem para o manipulado”, conta Irene. Dessa maneira, a expressão de um encantamento natural transforma-se apenas em sedução e tentativa de controle, um jogo doloroso. É mais sábio se preparar melhor para o encontro amoroso do que entrar nessa disputa frenética.

Outra boa ideia é se abrir para as diferenças que o outro vai trazer como algo natural. “Elas podem enriquecer e despertar outros interesses. Podemos acolher e agregar o que é diferente e nos transformar com essas novas possibilidades”, afirma a terapeuta, que faz um curso sobre a construção do amor maduro. “Toda pessoa traz um pacote pronto para a relação: sua ancestralidade, sua herança familiar, seu temperamento e personalidade. Isso tudo pode ser um estímulo e um desafio, ou um grande empecilho. Amar é sempre uma escolha”, diz ela.

Fazer planos juntos e não ficar apenas na contabilização dos defeitos também fortalece a relação. “É bom quando se baseia principalmente no respeito e na admiração mútuas. E não só apenas nas semelhanças”, finaliza.

A construção da relação madura

Ninguém discorda até aqui que um maior número de afinidades entre o casal pode favorecer o relacionamento. Mas, como dissemos há pouco, os dois não precisam ser exatamente iguais em termos de temperamento, personalidade ou ritmo. O mais importante é que compartilhem os mesmos sonhos, que olhem na mesma direção. Porém, e se não for assim

Vamos nos lembrar novamente de que o amor é uma escolha. No momento em que decidimos estar ao lado de um parceiro, automaticamente vamos ter de admitir que teremos um trabalho a fazer pela frente, sobretudo interno. Não é mudar o outro que vai contar nessa história, mas sim mudar a si mesmo. “Essa conversa de príncipe ou princesa prontos não passa de um mito que prejudica demais as relações.

Acredita-se assim que nada precisa ser feito para que a harmonia seja predominante no relacionamento”, diz a psicoterapeuta paulista Sandra Taiar. “A perfeição não compõe com o encontro humano. No começo pode haver um encantamento, e a ilusão da perfeição, mas é na aspereza da realidade que vai se dar o verdadeiro encontro entre dois seres que se amam. É nesse momento em que você se despe de suas fantasias para escolher uma relação mais real”, diz .

Portanto, há de se arregaçar as mangas, se o relacionamento valer a pena e não for abusivo. “O amor é um caminho de autoconhecimento. Você será capaz de enxergar melhor seus limites e dificuldades, e o quanto é capaz de compreender, tolerar, ter paciência e se colocar no lugar do outro quando amar profundamente”, diz Sandra. Ao enfrentar as diferenças, há um grande potencial para mudanças internas duradouras. “Não é mais querer que o outro seja quem você quer, o que é uma grande ilusão, mas se exercitar na arte de conviver com a diferença trazida pelo outro. Em vez de se queixar, se decepcionar e até se afastar do parceiro por ele não ser quem você deseja, você torna-se capaz de sair de si mesmo e dos seus limites para acolher o outro. Com esse movimento, será capaz de enxergar muito melhor a si mesmo”, diz.

O que o amor quer ensinar

Vimos então que caminhamos em direção ao amor como se ele fosse uma resposta pronta para solucionar grande parte de nossos problemas. Ou como se ele fosse absolutamente necessário apenas para suportar uma existência insípida e vazia. Inconscientemente, esperamos que a pessoa certa vá chegar para colocar um The End em nossos conflitos, dificuldades e carências. “O amor de nossas vidas, a realização dos nossos sonhos. Aquela pessoa gloriosa que vai incendiar nossa alma e atiçar nossa paixão pela vida. Acordamos de manhã ao som da canção dessa promessa no rádio e adormecemos à noite com romances e filmes sobre duas pessoas desconhecidas que finalmente se encontram”, escreveu a autora americana Kathy Freston no livro A Pessoa Certa (Fontanar). Quem lá bem no fundinho do coração não quer ser esse protagonista dessa feliz história de amor? “Depositamos toda nossa esperança no dia em que essa será nossa história. Ansiamos por essa conexão de que ouvimos falar, com toda sua magia, seu mistério e encantamento; queremos ser iluminados e transformados simplesmente por estar na presença daquele ‘único e verdadeiro amor'”, diz Kathy no ínício do seu livro. Mas será que é isso mesmo? Existe esse par perfeito?

Um trecho de O Profeta, escrito por um dos poetas que mais entendeu do amor, Kahlil Gibran, recoloca de uma maneira completamente diferente a questão. “Quando o Amor te chamar, segue-o, ainda que seus caminhos sejam árduos e íngremes. E quando suas asas te envolverem, rende-te a ele, ainda que a espada escondida entre suas plumas te possa ferir. E quando ele te falar, acredita nele, ainda que sua voz possa despedaçar seus sonhos como o vento Norte devasta o jardim… Todas essas coisas o Amor te fará, para que conheças os segredos do teu coração e, com esse conhecimento, te tornes um fragmento do coração da Vida.”

Aí está. Além de saber que certos pares podem, sim, facilitar o relacionamento, de que o amor é uma construção consciente a dois e que as diferenças podem ser acolhidas mais generosamente, é preciso saber incluir um terceiro aspecto desse sentimento: o seu poder de catalisar e desenvolver velozmente o lado espiritual dos parceiros. “Você não alcança o sucesso no amor simplesmente porque encontra um companheiro e fica com ele pelo resto da vida; você alcança o sucesso no amor quando ele lhe proporciona uma maneira de continuar aprendendo sobre si mesmo e sobre o mundo à sua volta, tornando-se mais conectado com a unidade de toda a vida, de modo que cada experiência que você tenha – seja ela gloriosa, triste ou frustrante – torne-se um fio na teia de sua evolução. É o modo como você navega pelas rotas do amor que confere um propósito à sua estadia na Terra”, escreveu a americana Kathy Preston.

O desejo de viver um amor de uma forma densa e profunda pode instigá-lo a abrir cada vez mais o coração e, dessa maneira, levá-lo a um despertar espiritual. Isso pode ser incrível, mas também estarrecedor. “O amor o leva até ao seu limite – sua sensação de limitação – e então o empurra para ir mais além. Às vezes de uma forma delicada, gentil e generosa. Às vezes, de uma forma simplesmente enlouquecedora”, afirma a autora americana. É essa abertura que pode levá-lo a outro estágio espiritual.

Isso quer dizer que toda forma de amor vale a pena, como canta Milton Nascimento na música Paula e Bebeto? De certa forma, sim. Os diversos amores, se vividos de uma forma consciente, podem nos tornar mais humanos e nos conduzir a relações mais verdadeiras. Até que, quem sabe um dia, chegue o parceiro que nos completará em mais aspectos. Talvez não exatamente por ele ser nossa alma gêmea, ou par perfeito, mas por estarmos mais preparados para amar. Seja como for, as linhas de pensamento orientais afirmam que essa relação só chegará se tivermos o merecimento cármico para isso. Se não, continuaremos a aprender com as diferenças. Segundo essa visão, aprender a amar faz parte do nosso aprendizado aqui na Terra. E estamos aqui justamente para isso.

Arthuzzi é fotógrafo e colabora em vida simples há algumas edições. Ele gosta de clicar de tudo: gente, natureza, ambientes…

Liane Alves adora escrever sobre o amor e sobre autodesenvolvimento. Ela acredita que as palavras têm poder transformador. E têm.


Em alguns casos há mulheres que já têm uma predisposição em manter relacionamento homossexual, mas as convenções sociais as obrigam a casar com o sexo oposto.

A coisa acontece ainda de forma meio que silenciosa, mas é cada vez maior o número de mulheres que deixam os seus companheiros – maridos e namorados –  para relacionarem-se com outras mulheres.

E não pensem que esse “fenômeno” ocorre apenas no mundo das celebridade ou da high society nacionais. Não é não!

Aqui mesmo, no Maranhão, já há casos famosos de mulheres “bem casadas” que resolveram desistir do relacionamento hétero com os maridos em troca de uma aventura nos braços da “mulher amada”.

Mas, o que estaria levando parte da mulherada desistir do “rala e rola” com os homens e preferir o “esfrega e esfrega” com outra do mesmo sexo?

Bom, um amigo tem uma resposta rápida: a Rede Globo! 🙂

Vamos lá que a Globo tenha a sua parcela de responsabilidade na questão, mas prefiro levar em conta o que algumas amigas acham.

Uma delas, que jura que jamais trocaria um “pinto” por uma “aranha”, acha que isso acontece por decepção da mulher no relacionamento com o homem que um dia ela amou. Diz a amiga (que é jornalista): “Além de estar cada vez mais difícil no mercado, a maioria dos homens é safado e não leva a gente a sério, aí alguma mulheres acabam entrando em crise e resolvem apostar num relacionamento homossexual”.

Isso pode fazer algum sentido é verdade, mas acho que não resolve a nossa questão.

Talvez com o avanço na liberdade de escolha das pessoas, em especial da mulher, possa explicar o grande número de minas na busca de felicidade com outra “rachada”.

Penso que em alguns casos há mulheres que já têm uma predisposição em manter relacionamento homossexual, mas as convenções sociais as obrigam a casar com o sexo oposto. Daí que elas casam de véu e grinaldo, pó de arroz, buquê, vai para a lua de mel na “zoropa” e depois de algum tempo do casamento aparece alguma crise, uma pulada de cerca do cara e aí… pronto! Está dada a senha para a moça deixar o “sem vergonha” e procurar a felicidade com outra.

De qualquer forma, o que vale nesse processo é a pessoa ser feliz no amor.

E no caso do cara que levou chifre da companheira com outra mulher, resta tentar mostrar a sua competência e administrar a duas. Aliás, conheço um cara que foi sugerir à esposa para colocar uma terceira garota para esquentar a relação e acabou perdendo a esposa para essa “terceira”. Quase ele se mata!

O fato é que os marmanjos, principalmente os metidos a “pegador”, que se cuidem.

Há uma gata à espreita querendo roubar a mulher vocês…

Até a próxima.


O prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB) e os principais representantes de sua equipe de governo, participaram de uma reunião com o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), João Martins, e representantes do órgão.

A reunião que ocorreu na sede da Secretaria de Saúde do Município na manhã da última sexta-feira, teve como objetivo discutir ferramentas que possibilitem a qualificação e oferta de benefícios que contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas empreendedoras e que atendam as principais áreas da gestão municipal.

Luis Fernando ressaltou a necessidade de ampliar a oferta de serviços e destacou ações que segundo ele são de extrema importância para a implementação da cultura empreendedora no município.

“Entre as ações que estão sendo discutidas, vamos trabalhar a elaboração do inventário turístico que consiste em levantar, identificar, registrar e divulgar os atrativos, serviços e equipamentos turísticos para que se planeje e gerencie adequadamente o processo de desenvolvimento do setor. Vamos tornar o Centro Social do Turiúba em um espaço que ofereça estímulo ao empreendedorismo e porque não oferecer em uma de nossas escolas educação integral voltada a formação empreendedora?”, questionou o prefeito.

O prefeito ribamarense também anunciou que nos próximos dias será encaminhado para votação na Câmara, o projeto da Lei Geral de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, que prevê diferenciação para empresários. A medida, de acordo com o que pontuou o presidente do Sebrae, João Martins, vai possibilitar o avanço de resultados concretos em favor dos empresários.

“Saio daqui bastante motivado. De certo, o encaminhamento e aprovação da lei na Câmara, trarão grandes ganhos para o avanço e implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do município, que refletirão diretamente na economia e geração de emprego e renda para toda a população”, concluiu o presidente.


Ela conta que não bastassem om traumam que os colaboradores enfrentam, e as sequelas que ficam por conta dos assaltos, eles ainda têm que arcar com o pagamento do valor levado pelos marginais.

Ganhou uma repercussão considerável o post “Vagabundo faz a festa: A falta de segurança na rede de farmácias Extrafama”, publicado no sábado, 11 (veja abaixo).

Após o post, dois importantes fatos ocorreram.

O primeiro foi o comentário deixado pelo vereador por São Luis, Ricardo Diniz (PCdoB), afirmando que irá apresentar um projeto de lei exigindo que as redes de farmácias equipem as lojas com segurança privada para dar maior tranquilidade aos colaboradores e clientes.

“Meu querido Robert, essa semana darei entrada em um projeto para garantir a segurança dos colaboradores da empresa e clientes. Faremos um debate bem amplo e tentar encontrar a melhor solução, só não podemos ficar à mercê da violência”, comentou o vereador.

O segundo fato, este além de importante muito grave, ocorrido a partir do post sobre a falta de segurança nas farmácias de rede Extrafarma, diz respeito a uma denúncia feita por uma funcionária que encontra-se “encostada” pelo INSS justamente por ficar inapta ao trabalho após inúmeros assaltos da qual foi vítima.

Funcionários pagam pelos assaltos

Em contato com o Blog do Robert Lobato, a colaboradora, que aqui vamos chamá-la de “Mirtiz”, pois ela pediu para ter a sua identidade real sob sigilo, disse que os assaltos nas farmácias da rede Extrafarma são recorrentes e em alguns casos os clientes e funcionários passam por um verdadeiro terror.

Segundo Mirtiz, em todas as lojas em que ela trabalhou houve assaltos: Renascença, Cohab, Cidade Operária e no Pingão/Planalto. Ela conta que não bastassem os traumas que os colaboradores enfrentam, e as sequelas que ficam por conta dos assaltos, eles ainda têm que arcar com o pagamento do valor levado pelos marginais.

“Fui contratada pela Extrafarma em meados dos anos 2000 e desde o primeiro ano que comecei a trabalhar nas farmácias da rede fui vítima de assalto.  Começou pela loja do Renascença depois Cohab, Cidade Operária e por último na unidade do Pingão/Planalto. É uma situação muito traumatizante, pois os funcionários são humilhados, sofrem agressões dos bandidos, enfim, são os piores momentos que uma pessoa pode passar. O assalto na farmácia do Pingão foi um horror. Até hoje vivo sob prescrição de remédios controlados, passei por um grave estado de depressão, fui diagnostica com síndrome do pânico e não tenho condições de voltar a trabalhar, atualmente encontro-me encostada pelo INSS. E se não bastasse todo o drama que a gente passa durante os assaltos, os funcionários ainda são obrigado a pagar pelo valor levado pelos assaltantes. A Extraforma cobre apenas R$ 150,00 do valor assaltado o resto é descontado dos colaboradores independente do montante roubado”, relatou Mirtiz ao Blog do Robert Lobato.

O Pior é que esse escárnio, esse assédio moral escancarado, enfim, essa sacanagem, provavelmente não deve ser um privilégio somente da rede Extrafarma. As outras redes de farmácias devem fazer o mesmo com o seus colaboradores. Ou seja um verdadeiro AB-SUR-DO!!!

Que as autoridades competentes, incluindo o Ministério Público do Trabalho, tenham a coragem de apurar essas denúncias e punir exemplarmente todos os que andam à margem da lei.

E se precisarem da colaboração do Blog do Robert Lobato é só entrar em contato.


Outra novidade é que o Messenger agora conta com acesso às linhas de prevenção do Facebook

O Facebook anunciou hoje algumas melhorias com foco em prevenção de suicídio. E uma das iniciativas pode contribuir para diminuir as ocorrências de pessoas que usam a plataforma de vídeos da companhia para transmitir a própria morte ao vivo.

As ferramentas de prevenção da companhia serão integradas ao Facebook Live. Assim, se um usuário notar comportamento estranho de um amigo que estiver fazendo transmissão, ele tem como intervir diretamente e avisar a rede social. “Também vamos disponibilizar recursos para que a pessoa reportando o vídeo consiga auxiliar o amigo”, explicou a empresa.

Já a pessoa que está fazendo a transmissão verá surgir uma série de recursos na tela. “Eles podem entrar em contato com um amigo, falar com um serviço de ajuda ou consultar dicas.”

Outra novidade é que o Messenger agora conta com acesso às linhas de prevenção do Facebook. Páginas de entidades especializadas poderão conversar diretamente com a pessoa afetada, o que torna a experiência mais ágil e efetiva.

Por fim, o Facebook vai usar inteligência artificial. Os robôs da companhia foram alimentados com conteúdo visto em postagens reportadas devido ao potencial de suicídio, então conseguem identificar ameaças mais rapidamente. “Essa iniciativa com inteligência artificial tornará a opção de reportar um post sobre ‘suicídio ou autoflagelação’ mais proeminente para posts potencialmente preocupantes.”

As atualizações, que começarão a aparecer pelos Estados Unidos, mostram que o Facebook está de olho num problema que tem potencial para causar dores de cabeça enormes. Recentemente, por exemplo, foi noticiado que a rede social levou duas semanas para tirar do ar o vídeo de uma garota que transmitiu seu suicídio pelo Facebook Live.

(Via Painel Político)

 


Origens da expressão à parte, quem vive engolindo sapos sofre muito | Crédito: Vida Simples Digital

Por que toleramos ou ficamos calados diante de algo que nos desagrada?

por Elisa Correa, via Vida Simples

“Posso ter sido qualquer coisa, menos blasfemador.” O teólogo e filósofo italiano Giordano Bruno teria pronunciado essas palavras no dia de sua execução, 17 de fevereiro de 1600, em Roma. Ele se recusou a negar suas opiniões religiosas e a teoria do astrônomo alemão Johannes Kepler de que a Terra girava em torno do Sol. Por isso, foi condenado, preso e queimado vivo. Dezesseis anos mais tarde, foi a vez de o astrônomo Galileu Galilei ser perseguido pela Igreja Católica. Depois de construir um telescópio para observar o céu, Galileu confirmou a teo­ria heliocêntrica e foi parar diante do tribunal do Santo Ofício. Para escapar das acusações de heresia e da fogueira da Inquisição, negou suas descobertas.

Apesar de muito longe na História, o dilema enfrentado por Giordano Bruno e Galileu se mantém atual. Mesmo sem correr o risco de acabar na fogueira, continuamos a enfrentar a questão: defender nossas posições com unhas e dentes, sem temer as consequências, ou… engolir sapo.

“Engolir sapo significa tolerar coisas ou situações desagradáveis sem responder, por incapacidade ou conveniência”, diz o escritor e professor Ari Riboldi, autor do livro O Bode Expiatório (editora Age), no qual explica a origem de palavras, expressões e ditados populares com nomes de animais. Segundo ele, uma das possíveis versões sobre a gênese da expressão viria do texto bíblico. De acordo com a tradição judaico-cristã, o deus Javé enviou dez pragas sobre o faraó e o povo do Egito, pelas mãos de Moisés. A finalidade era convencer o faraó a libertar o povo hebreu, escravo no Egito, permitindo que ele partisse para a nova terra sob o comando de Moisés. O episódio das pragas faz parte dos capítulos 7º a 12º do Êxodo, livro do Antigo Testamento – a segunda praga, a infestação de rãs, é narrada no capítulo 8º. Elas tomaram conta das casas, quartos, leitos, pratos e de todos os ambientes habitados pelo faraó e pelos egípcios. Ao morrerem, ficaram aos montes infestando os locais e causando doenças. “O texto bíblico menciona rãs e não sapos, mas trata-se apenas de uma versão”, diz Riboldi.

O bonzinho

Origens da expressão à parte, quem vive engolindo sapos sofre muito: tem dificuldade para dizer não, fica calado ou concorda com o outro em situações polêmicas só para evitar conflitos, ignora os próprios desejos para não gerar mágoas. “A pessoa não expressa seu sentimento e opinião simplesmente por medo da reação negativa de seu interlocutor. Essa atitude tem a ver com a cultura, com crenças que estão no modelo mental guiando nosso comportamento para a passividade em situações em que nos sentimos ameaçados ou com riscos de perdas”, explica Vera Martins, especialista em medicina comportamental, diretora da Assertiva Consultores, de São Paulo, e autora do livro Seja Assertivo! (editora Campus).

Depois vem aquela sensação de impotência e frustração por não conseguir expressar os sentimentos, por achar que tem sempre alguém determinando o que deve ser feito. E lá ficamos nós, nos sentindo incompreendidos e manipulados, remoendo uma mistura de raiva e culpa enquanto pensamos no que deveríamos ter dito no momento que já passou. Como consequência, nossa autoestima e confiança despencam no mesmo ritmo com que perdemos o respeito dos outros, que passam a não nos levar mais em conta.

Muitas vezes, o engolidor de sapos se esconde atrás da figura do bonzinho, aquele sujeito sempre preo­cupado em agradar – para ser aceito e querido. “Ele usa uma linguagem extremamente cuidadosa, porém é violento consigo mesmo, pois cede seus direitos em prol do outro”, diz Vera. Na verdade, as atitudes do bonzinho são alimentadas por uma expectativa de reciprocidade: ele se posiciona passivamente na situação, sendo agradável e condescendente, esperando que o outro também faça o mesmo. Quando isso não acontece, a raiva aparece.

Corpo e mente

Se engolir sapos pode ser considerado uma estratégia de proteção, de permanência na chamada zona de conforto, precisamos saber que sofreremos consequências deletérias por não defender nossas posições. “A raiva é uma das emoções que as pessoas têm mais dificuldade de manifestar. Muitos enterram a agressividade durante anos e têm pavor do que pode acontecer, caso resolvam desabafar. Acham que qualquer demonstração desse sentimento vai magoar os outros”, afirmam Robert Alberti e Michael Emmons no livro Como se Tornar mais Confiante e Assertivo (editora Sextante).

“Engolir sapo é o mesmo que engolir a raiva, uma emoção protetora que nos avisa quando algo está errado. E ela estimula à ação. O estrago físico, emocional e mental de quem não põe isso para fora é arrasador com o passar do tempo, favorecendo diversas doenças”, diz Vera. É o que também adverte o psiquiatra e psicanalista Ricardo Almeida Prado, do programa de atendimento e estudos de somatização da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Todo fenômeno que se passa com o ser humano é psicossomático, porque a psique está todo o tempo presente.” Segundo ele, existem algumas doenças em que essa correlação se torna mais evidente, como alergias, asma brônquica, dermatites, síndrome do intestino irritável e fibromialgia. No entanto, ainda são poucas as pessoas que percebem essa associação. “Às vezes você sai de uma reunião com uma enorme dor de cabeça, termina um almoço com muita dor de estômago e não percebe que isso está associado ao fato de não ter se posicionado como gostaria. Quando chega em casa, pensa em tudo o que deveria ter falado e não teve coragem naquele momento. E se sente muito mal por isso”, diz Denise Gimenez Ramos, psicóloga e professora titular do programa de pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP.

Essa separação entre corpo e mente vem do Iluminismo. E, se por um lado permitiu um grande desenvolvimento tecnológico e científico, nos deixou como herança a dificuldade de relacionar os problemas de saúde com nossa própria história. “É muito mais fácil pensar que a doença é gerada por um problema físico, porque é como se a gente não tivesse nada a ver com aquilo. Se você pensar que ela tem uma origem psíquica, vai ter que pensar no quanto está implicado, em qual é sua responsabilidade”, afirma Prado.

Que tal dizer não?

Existe redenção para um contumaz engolidor de sapos? Adiantaria descontar a raiva contida, reverter a situação de desvalia e enfiar o pé na jaca? Valeria a pena aprender a reagir na mesma moeda? As respostas passam pela compreensão do conceito de assertividade. Quem é assertivo diz o que pensa com confiança e firmeza, consegue se expressar e defender suas posições de maneira afirmativa, sem perder a simpatia das pessoas. É alguém que não engole sapos – mas também não faz ninguém engolir. “Muitos acreditam que a pessoa assertiva é agressiva em situações de conflito e passiva quando não é conveniente se posicionar. Está errado, o comportamento assertivo é firme, focado na solução do problema, enquanto o não-assertivo é focado no culpado do problema”, afirma Vera Martins.

Ter um comportamento não-assertivo é sinônimo de engolir alguma coisa que não queremos, que alguém nos empurra goela abaixo. Mas por que permitimos, sem nos posicionar? Por medo. Não rea­gimos por receio da reprovação, da crítica. “As pessoas têm a fantasia de que se disserem ‘não’ vão perder o amor do outro. Isso é muito destrutivo, ela acaba expiando o sentimento de culpa na posição de submissão. Quando, na verdade, é o contrário: ao se posicionar, o outro percebe que existe uma pessoa, com opiniões próprias, que precisa ser considerada”, diz Ricardo Prado.

Claro que, muitas vezes, é difícil ser assertivo no trabalho, por exemplo. O medo de represálias e até de perder o emprego pode falar mais alto. Sim, dentro de uma empresa existe uma hierarquia e regras que precisam ser respeitadas. Mas qual o limite disso? Como estar submetido a um determinado sistema sem perder a identidade, sem deixar de ser a pessoa que você deseja? “O assertivo avalia cada situação e decide se vale a pena se posicionar. Ele não engole sapos e sim recua estrategicamente, sentindo-se confortável na situação”, afirma Vera.

Quem atura muita coisa calado acaba sendo agressivo em algum momento. Pessoas passivas no trabalho podem ser agressivas em casa, descarregando a raiva nos filhos, na mãe ou no companheiro porque se sentem mais seguras. Mesmo explodindo, acreditam que vão continuar sendo amadas. Quem recebe a agressão deve evitar reagir do mesmo jeito. “Senão vira uma guerra para ver quem humilha mais, quem pode mais. A atitude saudável é apontar para o outro a agressão e não devolver na mesma moeda”, diz a psicóloga Denise Ramos.

O responsável é você

Mas qual o caminho para atingir a assertividade? Como deixar para trás o comportamento passivo? Para começar, é preciso autoconhecimento. Os autores do livro Como se Tornar mais Confiante e Assertivo, Alberti e Emmons, afirmam que o treinamento para a assertividade evoluiu a partir da ideia de que as pessoas vivem melhor quando conseguem expressar o que querem e quando se sentem à vontade para dizer aos outros como gostariam de ser tratadas. “Algumas, porém, têm dificuldade para decidir o que querem da vida. Se você tem o hábito de fazer as coisas para os outros e acredita que o que deseja não é relevante, pode ser muito difícil descobrir o que realmente importa.”

Também é preciso deixar de sentir culpa. Você não é culpado e sim responsável pelo que acontece em sua vida. Ninguém tem a obrigação de ler seus pensamentos se você não se posiciona. Ninguém vai adivinhar seus sentimentos enquanto você não se manifestar. Para ser assertivo é preciso, antes de mais nada, reconhecer que muitos sapos já foram engolidos. Mas talvez ajude olhar para eles de outra maneira. “Essa coisa de ver o sapo como um animal sujo, nojento, é muito do nosso país. Há lugares onde eles são adorados. Na cultura oriental, por exemplo, são tidos como portadores de boa sorte e fortuna”, afirma Célio Haddad, especialista em anfíbios e professor titular do departamento de zoologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Rio Claro). Ele também lembra que na pele dos anfíbios existem muitas substâncias alucinógenas. “Essa é a raiz da lenda da princesa. Se você ‘beijar’ um sapo, entrar em contato com sua pele, depois de 5 minutos pode realmente ver um príncipe na sua frente.”

Que tal firmar um compromisso? Beije cada sapo que aparecer no caminho e transforme-o em um príncipe. Para cada sim dito contra a vontade, diga um não. Para cada desaforo que levar para casa, exponha suas opiniões. Assim, de sapo em sapo, você estará aprendendo a ser assertivo. Não é fácil. Mas certamente é bem menos indigesto.


Costumo dizer que a vida só faz sentido se trouxéssemos à mente as coisas que verdadeiramente dão sentido à ela.

Uma lembrança agradável, uma saudade eterna, um amor infinito, enfim, coisas que nos fazem sentir a alegria de viver mesmo não podendo contar mais com fatos e pessoas que marcaram as nossas vidas.

O engenheiro, ex-deputado e ex-prefeito Chico Leitoa, por exemplo,  nos blindou como uma bela e emocionante história em forma de artigo publicado originalmente no blog do Elias Lacerda (Timon), típica de um roteiro de novela da Rede Globo.

Trata-se de revelações sobre sua mãe, dona Nazaré Rodrigues, já falecida e que completaria 90 anos de idade neste sábado, 18.

O Blog do Robert Lobato não poderia deixar de reproduzir esse documento assinado por uma pessoa de bem, amiga e companheira como é o caso de Chico Leitoa. Além do mais porque não teve como eu não lembrar da minha própria mãe ao ler o artigo do velho amigo pedetista. Confira.

90 ANOS DE DONA NAZARÉ

Em 18 de fevereiro de 2017, DONA Nazaré ( minha māe ), faria 90 anos. Só que, já se väo 43 que ela se foi, exato no dia 09.07.1.974, por uma fatalidade, no dia do meu aniversário de 20 anos.

Nazaré tinha uma história muito peculiar. Sua mãe, segundo dizem, uma preta bonita ainda jovem foi trazida do povoado Chapadinha, ( hoje anexado á zona urbana de Teresina, através da Santa Maria da Codipe), para trabalhar como doméstica na casa dos patrões. Chapadinha era propriedade da família Castelo Branco, uma das mais ilustres e abastadas do Estado do Piauí. Pois bem, Francisca caiu nos encantos de um dos membros da família e engravidou. Imediatamente a devolveram para Chapadinha. No ventre, uma filha que viria a ser batizada com o nome de Nazaré. Todos os membros da família de Francisca eram e são de cor preta. Nazaré nasceu branca como são seus parentes sanguíneos paternos, como se diz: pra tirar a mãe da culpa.

Francisca veio a casar-se com Honório Eduardo das Neves, que criou Nazaré como se fosse sua filha, ( mas não registrou ) e tiveram outros cinco filhos e filhas ( todos de cor preta )

Nazaré foi, portanto, criada praticamente confinada em Chapadinha e nunca estudou, sequer aprendeu ler ou escrever.

Ainda muito nova, conheceu Estevam, um lavrador galanteador que morava do outro lado do rio Parnaíba, no povoado São Gonçalo, do lado maranhense, que atravessou o rio e conquistou seu coração jovem, com quem começou a namorar. Namoro ia firme, mas Estevam, mulherengo, arrumou outra namorada em São Gonçalo ( De nome Francisca ), com quem se casou. Do casamento nasceram cinco filhos e filhas: Joåo, Maria do Carmo, Luciano, Teresinha e Francisca.

O casamento durou dez anos, e Francisca ( esposa de Estevam ) veio a falecer.

Nazaré sempre em sua vida pacata, estava prestes a casar-se, quando Estêvam, viúvo, dez anos mais velho e cheio de filhos pequenos, apareceu novamente e com seus encantos, convenceu Nazaré a casar-se com ele. Coisas do destino e do amor.

Estevam e Nazaré tiveram seis filhos: Eu, Célia, Alberto, Estevinho, Socorro e Orcélia. Nazaré , portanto, criou e ajudou na criação de 11 crianças. Nos 12 primeiros anos em São Gonçalo, numa vida dura cuidando da casa com tanta gente, e depois, outros 10 anos na zona urbana, quando o casal resolveu se deslocar para que pudéssemos dar sequência aos estudos. Implantaram 18 canteiros suspensos no quintal de nossa casa na beira da linha férrea que nos entregaram para cuidarmos puxando água de um poço cacimbão. Meu pai foi vender numa pequena quitanda na Avenida Maranhão com rua Lisandro Nogueira e dona Nazaré colocou uma banca para venda de verduras no mercado central em Teresina, onde sempre que possível eu a ajudava.

NAZARÉ, algum tempo depois começou a se queixar de dor de cabeça, sua saúde foi debilitando e se agravando de médico em médico, de hospital em hospital, veio a falecer aos 47 anos.

Sempre tive curiosidade, pois no meu registro de nascimento não constava o nome do meu avô paterno. Minha mãe nunca permitiu falar do assunto. Os outros membros da família também sempre se recusaram a tratar da questão.

Na beira da linha, conheci dona Rosa, uma preta que lavava roupa para os ricos em Teresina. Soube de minha curiosidade, sobre meu misterioso avô paterno, e me falou que sabia parte da história, alcançada através de convivência em tarefas caseiras, na casa de um dos Castelo Branco. Contou-me o que sabia ( ou o que podia ). Conversei superficialmente com uma tia e guardei mais algumas informações.

Depois de muitas batalhas e já formado em Engenharia, no final da década de oitenta, já ensaiando a entrada na política, fui dar uma entrevista na TV clube. Terminada a entrevista, fiz algo que havia decidido depois das investigações. Atravessei a Avenida Valter Alencar e entrei naquela casa em frente, que tem dois leões no muro. Tomado por um sentimento de muita curiosidade. Fui recebido pelo dono da casa, um senhor simpático, pelas informações se tratava do Médico Dr Mariano Castelo Branco. Ele estava sentado na varanda e tinha assistido a entrevista. Depois da apresentação conversamos por alguns minutos. E veio o momento: Perguntei àquele senhor se ele se lembrava de Nazaré, egressa de Chapadinha, e que por um tempo foi vendedora de verdura no mercado central. Ele imediatamente lembrou. Aí eu falei: sou filho dela. Ele tomou um susto e acrescentou que na verdade quem conhecia Nazaré era uma irmã sua (Bizinha, se nāo me engano ), que morava na ladeira do Uruguai. Falei que queria apenas saber das minhas origens. Mas o Doutor interrompeu a conversa e fui embora. Parece que ele julgou que eu estivesse atrás de algo, talvez de interesse material, coisa que nunca nos moveu. Queria apenas checar as coisas. e se possível conviver. Mas apesar do desapontamento, confesso que vi naquele homem os “traços” de minha mãe.

Passados alguns anos, eu estava no primeiro mandato de Prefeito de Timon e fui convidado para uma festa de lançamento de um jornal numa casa de eventos em Teresina. Muita gente, inclusive o Reitor da UFPI, Dr Anfrisio Neto ( Anfrisio Lobāo Castelo Branco Neto ), que na arrumação da festa, acabamos ficando na mesma mesa. Falei que tinha sido, durante sete anos, aluno da Escola Industrial e Escola Técnica Federal, ( depois Cefet e hoje IFIP ) e que tinha à época assistido a uma palestra proferida por ele ainda muito jovem, que versava sobre Jornada Problemática da Juventude. Ele ,claro, achou interessante eu guardar detalhes. Em seguida, numa agradável conversa e depois de alguns goles de whisk, falei sobre a Chapadinha e perguntei se por acaso ele já tinha ouvido falar em uma pessoa de nome Nazaré que seria filha de um dos membros de sua família com uma preta chamada Francisca. Ele não lembrava direito, mas deu a entender que sabia algo e levou na esportiva. Em tom humorado, passou a me chamar de parente. Foi o único momento que senti a presença, mesmo superficialmente de um “parente” sanguíneo do avô paterno que nunca conheci. Pelo que sei, mesmo tāo perto, Nazaré nunca conviveu com nenhum deles.

Minha mãe era uma criatura maravilhosa. Tinha um coração de ouro. Mesmo pobre, sempre que vinha do mercado, o pouco que lhe sobrava ainda dividia com quem precisava mais.

Depois que ela se foi, a rede globo exibiu uma novela, cujo título era o do personagem principal ( dona Xepa ) que era interpretado por Iara Cortes e eu sempre via nela, DONA NAZARÉ.

….Sempre quis, e fez tudo que pôde para eu me formar, mas partiu sete anos antes do que seria de certa forma, um dia de resgate da sua “origem nobre” que lhe foi negada conviver. Sendo originária das duas extremidades da pirâmide social só lhe foi possível conviver com um. Mas a sua luta propiciou que avançássemos na busca de espaço como que em recompensa à sua história de Vida.

Dia 18/02/2017 ( um sábado ), seria seu aniversário de 90 anos e com certeza teria uma grande festa, hoje já com dezenas de netos e netas, e vários bisnetos e bisnetas. Dois dos Netos com mandatos ( Luciano e Rafael ).

Que DONA NAZARÉ não me recrimine por externar essa história que até então pouca gente conhecia, mas o faço em homenagem à sua história de superação e bondade.

Que Deus a tenha,, pois há 42 anos e sete meses, fomos privados de sua bondosa convivência.

Eng Chico Leitoa

Fevereiro de 2017