Se há uma crise de representatividade na classe política, não é menos verdade que igualmente existe uma crise de legitimidade a partir do momento que o eleitor não vota num plano de governo, nas propostas de um candidato ao legislativo ou num programa partidário.

É muito comum ouvir dizer que o eleitor não sabe votar ou que ele tem o governante/representante que merece.

Não faço parte dessa linha de pensamento. Talvez o eleitor até tenha, em alguns aspectos, o representante que mereça, mas não me parece que não saiba votar pura e simplesmente.

O que ocorre é que eleitor não é muito exigente com deveria ser durante a campanha eleitoral. Pelo contrário: se tiver como receber alguma vantagem imediata seja pessoal, material, financeira para votar em alguém receberá sem a menor culpa de consciência.

O eleitor vota num candidato mesmo sabendo que este não é a melhor opção para a sua cidade, por exemplo. Vota porque é um emprego que está em jogo, um contrato para um parente, uma sinecura aqui e acolá, um pedido de um amigo e por aí vai.

E por que isso acontece? Simples! A classe política está tão avacalhada que o eleitor deixou-se avacalhar também.

O resultado dessa simbiose pervertida entre o político que compra voto e o eleitor disposto a vendê-lo é que explica essa promiscuidade que vê através do festival de delações na Operação Lava Jato, o sistema de corrupção sofisticado que foi instaurado e institucionalizado no país, e a incompetência de muitos gestores nos três esferas da República, principalmente no âmbito municipal.

Nesse sentido, toda vez que a sociedade reclama de corrupção, falta de saúde e educação de qualidade, esculhambação da infraestrutura urbana, caos no trânsito, lixo espalhados pela cidade etc, deve lembrar primeiro da escolha que fez na eleição e, quiçá, fazer a devida autocrítica de como e por que optou por determinado candidato.

O que não é razoável é o eleitor saber que estava escrito nas estrelas que determinado candidato não ter a minima condição para exercer um cargo público, seja no executivo ou legislativo, e ainda assim votar no cara tão somente por causa de algum benefício que conseguiu no varejo.

Se há uma crise de representatividade na classe política, não é menos verdade que igualmente existe uma crise de legitimidade a partir do momento que o eleitor não vota num plano de governo, nas propostas de um candidato ao legislativo ou num programa partidário. Uma coisa está ligada a outra como gêmeos siameses.

Reclamar de corrupção é fácil e cômodo.

Difícil é reconhecer que parte dela tem o origem em quem mais deveria zelar para que ela, a corrupção, não prevalecesse: o eleitor.

Mas, infelizmente, não é o que se tem visto ao longo dos tempos e de cada eleição.

Vide o caso de São Luis…

2 comentários em “Lava Jato, corrupção, incompetência: Qual a responsabilidade do eleitor em tudo isso?

  • Eu sou um dos que concorda que nós eleitores, e como cidadãos, temos culpa pela atual conjuntura politica que se encontra hoje o nosso país, que é esse mar de lama da corrupção. Mas para mim não é simplesmente o fato de não saber escolher qual é o melhor candidato, até porque em muitas cidade Brasil afora, mais especificamente aqui no nosso estado, nós não temos a opção de escolher entre um bom e um ruim, e sim, entre um ruim e um mais ruim. E aí como votar? A nível nacional qual o cenário que está se desenhando pra 2018? Pelo andar da carruagem parece que vamos ter um ruim contra um mais ruim. Ou será que vai parecer um novo Jânio Quadro, o homem da vassoura, ou um novo Collor, o caçador de marajás? Então, para mim, o problema não é o voto. O problema está em nós, não enquanto eleitor, mas sim como cidadão, que precisa superar a “lei do Gérson”, o “jeitinho brasileiro” , parar de achar que o cara que é honesto é otário. Enquanto isso o nosso dia a dia está cheio de maracutaia sendo feito por nós pessoas simples. Por exemplo: furando fila, estacionando em local proibido, subornando o agente público, o agente público extorquindo o usuário dos serviços públicos, Etc. E muita gente dizendo, ah! isso é normal. Emilio Odebrecht também disse que as propinas ( ajuda, segundo ele) sempre foram normais. E aí será que é normal mesmo? Com a palavra o povo brasileiro. Vou ficando por aqui, se não o comentário fica muito longo, se já não está. Mas deixo uma pergunta pra você Robert: Qual o papel da imprensa, a imprensa de um modo geral, nesse processo todo?

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