“PSDB e PT, parecem “dar de ombros” para a sociedade. O primeiro arranja uma sequência de álibis, cada vez mais inverossímeis, para não desembarcar do moribundo governo Temer. O outro teima na versão fantasiosa de golpe, persiste nos ataques à imprensa e ao Judiciário e elegeu para presidente Gleisi Hoffmann, senadora encrencada na Operação “Lava Jato”.

Por Eden Jr.*

Após vir à tona gravação do empresário Joesley Batista, em diálogo comprometedor com o presidente Michel Temer, a economia, que ensaiava uma recuperação de forma tímida e ainda incipiente, agora segue trajetória de incertezas. Umas das primeiras respostas para esse novo ambiente político de extrema volatilidade, com a real possibilidade de interrupção de mais um mandato presidencial, veio de duas das mais importantes agências globais de classificação de risco, a Standard & Poor’s e a Moody´s.

A Standard & Poor’s foi a primeira a se pronunciar. A classificação do Brasil, que ainda está em “grau especulativo” (possibilidade de calote), foi colocada em revisão para um possível rebaixamento. O principal argumento da instituição, para esse novo posicionamento, foi que, com o governo Temer fragilizado, haverá menos possibilidades de as reformas fiscais – leia-se especialmente a Reforma da Previdência – ser aprovadas no Congresso. Com isso, a recuperação da economia ficaria mais distante e incerta, dado o nível crescente do endividamento brasileiro (hoje em mais de 71% do PIB, segundo o Banco Central) e a necessidade de reestruturações fiscais para estancar essa dinâmica.

Seguindo a toada, a Moody´s também alterou a perspectiva da qualificação brasileira de estável para negativa. A nota ainda continua no “grau especulativo”, mas pode ser rebaixada nas próximas semanas. O argumento para a mudança de posição da entidade é que a vigente crise política brasileira afetará, negativamente, o ritmo da agenda de reformas, que vinha sendo implementada pelo governo Temer, e que dava mais credibilidade ao país. Com isso, a confiança do investidor será abalada, fato que trará volatilidade aos mercados. Apesar de essas agências terem tido sua confiança seriamente comprometida após a crise mundial de 2008, pois erraram flagrantemente na avaliação de bancos, que depois vieram a implodir, elas ainda servem como forte sinalizador para fundos de investimentos internacionais. Estes necessitam do aval delas para fazer aporte de recursos. Com isso, a tendência é que os investimentos rareiem por aqui.

O Banco Central (Bacen) também foi tomado por precaução. Antes dessa nova crise, esperava-se uma redução mais agressiva dos juros. Contudo, em sua última reunião, no final de maio, em vez de cair 1,25 p.p., a taxa básica de juros da economia sofreu redução de 1 p.p. A Selic foi fixada em 10,25% ao ano. A desculpa foi que as reformas trabalhista e da previdência deverão atrasar, ou mesmo não sair. E ainda pior, é que o Bacen indicou que as próximas reduções dos juros serão mais suaves, por conta das incertezas. Apesar de agora termos a menor taxa Selic desde o fim de 2013, e de não sermos mais os campeões mundiais de juros reais – perdemos o posto para a Rússia, segundo a MoneYou/Infinity Asset Management – o crédito vai demorar ainda mais a baratear para o consumidor final, adiando a recuperação econômica.

Os dois maiores bancos privados do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, também estão mais pessimistas com o futuro e refizeram suas projeções. Para o Itaú Unibanco, a economia irá se expandir 0,3% neste ano e 2,7% em 2018 (as estimativas anteriores eram de avanço de 1% e de 4%). O Bradesco agora aposta num comportamento neutro para este ano (0%) e de crescimento de 2% em 2018, ante perspectivas anteriores de alta de 0,3% e de 2,5%. A alegação das instituições financeiras é que o cenário brasileiro tornou-se mais “desafiador” diante das instabilidades políticas. Esse quadro levará à postergação das reformas fiscais e ao abrandamento da queda dos juros.

Da esfera política, de onde se esperava algum tipo de solução para destravar o ambiente, as notícias não são alentadoras. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), num julgamento que restou incompreensivo para a quase totalidade da população, absolveu a chapa Dilma-Temer, garantindo sobrevida ao presidente. Os principais oponentes no campo partidário, PSDB e PT, parecem “dar de ombros” para a sociedade. O primeiro arranja uma sequência de álibis, cada vez mais inverossímeis, para não desembarcar do moribundo governo Temer. O outro teima na versão fantasiosa de golpe, persiste nos ataques à imprensa e ao Judiciário e elegeu para presidente Gleisi Hoffmann, senadora encrencada na Operação “Lava Jato”.

Uma conjuntura desanimadora.

*Economista – Mestre em Economia (eden-jr@hotmail.com)

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